A polícia que julga e mata

Semana passada escrevi um artigo intitulado “Se acabarem com a PM, a violência já diminui”. Como sempre faço, postei o link para o artigo em minhas redes socias… E o mundo desabou sobre mim!

Fui ofendido e ameaçado. Fui acusado de ser “defensor de bandidos”. Fui chamado de desonesto, de criminoso, de traficante. Os ataques foram tantos que cogitei até em remover o artigo. Mas o objetivo deste blog é fazer pensar e não vou me acovardar diante desses ataques.

Muitas pessoas, é claro, não atacaram. Elas simplesmente comentaram dizendo que eu estava errado, que as PMs eram necessárias. Muitos perguntaram: “Para quem eu ligarei, então, se for assaltado?”

A minha resposta a essas perguntas foi sempre a mesma: “Para uma polícia eficiente, ora!”

Sim, porque as PMs não são eficientes. Simplesmente não podemos postar um policial militar ao lado de casa cidadão, protegendo-o constantemente de tudo! A ideia de um policiamento ostensivo é simplesmente patética. Quando os criminosos sabem que uma certa região está mais policiada, simplesmente passam a cometer crimes em outra região. Devido aos recursos limitados, não se pode policiar igualmente todos os lugares. Além disso, há sempre o risco de que o policial se torne bandido. Ele tem todos os elementos: arma e poder sancionado pela sociedade.

Hoje cedo (estou escrevendo às 5:50 da manhã), ao começar a vasculhar minhas redes sociais em busca de assunto, encontrei este vídeo aqui.

Tive de subir este vídeo para o meu servidor, porque o Youtube considera essas imagens fortes e exige uma verificação de idade. Eu diria que cenas assim só deveriam ser exibidas para pessoas com mais de 50 anos que comprovadamente tivessem estômagos fortes como o de um ex-fuzileiro, como eu. Policiais militares arrastando um homem para dentro de uma casa, para uma execução fria e rápida, fora da visão de eventuais testemunhas.

Não, eu não quero saber o que esse homem que foi executado fez!

Não há pena de morte no Brasil. Por mais bárbaro que seja o crime, não há pena de morte no Brasil. Então, quando um policial militar executa alguém, mesmo que seja um criminoso, está violando as leis. Está sendo um criminoso também. E se ele pode executar um criminoso, pode também executar-me se assim desejar. Ou executar você que está lendo. Ou seu filho, sua filha… Quem pode saber?

Um dos comentários mais tocantes dentre todos os que recebi por causa da postagem sobre as polícias militares foi a de um senhor, filho de um policial.

Contou-me o quanto o pai dele era um homem digno, que nunca se corrompeu, que nunca cometeu crimes. Contou-me como o pai o havia ensinado a ser um homem honesto. E, sim, eu acreditei em tudo que ele me disse. Não tinha motivos para não acreditar quando li o que ele escreveu e não tenho motivos para não acreditar agora.

Claro que existem policiais militares que são honestos, que não se corrompem, que são bons pais, bons esposos e bons amigos! Ninguém está pondo em xeque as individualidades aqui!

Eu falo contra as polícias militares como instituição, não contra os policiais militares como pessoas. Exceto pelos policiais militares criminosos. Esses eu combaterei como puder, hoje e sempre.

Eu falo sobre a ineficiência das PMs. Falo sobre o fato de terem sido usadas como instrumentos da ditatura militar. Falo sobre os altos índices de corrupção dentro das corporações.

Policiais militares são, e sempre serão, seres humanos. E eles são recrutados entre uma camada da população que convive com o crime diariamente. Recebem pouco, de propósito, para que se sintam tentados a participar de atividades criminosas para melhorar de vida.

Porque as atividades criminosas no Brasil são mantidas por quem tem o poder para fazer as leis, para determinar o salário dos policiais militares, para tudo. Se você acredita mesmo que Fernandinho Beira-Mar ou Marcola são os chefes do narcotráfico, por exemplo, então você é muito inocente! Os chefes do narcotráfico no Brasil estão no Congresso, usando paletó e gravata, sendo chamados de “excelência”. Esses outros são apenas paus mandados.

Alguns policiais militares resistem? Claro que sim! Alguns policiais militares permanecem honestos? É óbvio!

Isso, entretanto, não muda o fato de que as PMs como uma instituição são ineficientes e corruptas. E precisam ser extintas ou profundamente reformuladas.

Não, eu não tenho preconceito contra cristãos

Depois que começaram a falar em “cristofobia” por aí, fui acusado muitas vezes de ter preconceito contra cristãos. Nada poderia ser mais falso do que isso.

Porque preconceito é um conceito prévio, ou seja, antes que você conheça alguém, já julga que conhece essa pessoa por causa de uma certa característica, que pode ser a cor, a orientação sexual ou até mesmo a religião.

É por isso que posso dizer, sem medo de errar, que não tenho preconceito contra os cristãos. O que eu tenho é um conceito bem definido deles, que não é nada bom, justamente por conhecê-los muito bem.

Claro que não é possível generalizar completamente. Certamente existem cristãos que são boas pessoas. O problema é que eles são raríssimos! Em meus 54 anos de vida, devo ter conhecido, com sorte, uma meia dúzia de cristãos que eu considero como pessoas decentes. E acreditem, eu conheci muitos cristãos em minha vida!

Infelizmente a maioria dos cristãos que conheci eram mentirosos, falsos, hipócritas, fofoqueiros, caluniadores, invejosos e muito mais. Isso, é claro, sem falar naqueles abertamente criminosos, como Edir Macedo, Flordelis e Guilherme de Pádua.

Para ilustrar, vou contar alguns casos sobre cristãos que me levaram a ter essa visão negativa, tanto deles quanto de sua religião.

Caso 1: O pastor hipócrita

Tinha alguns amigos de infância que, como costumo dizer, enveredaram pelo caminho do crime e acabaram virando pastores evangélicos. A despeito da nossa antiga amizade, hoje não nos falamos. E um dos motivos é o que passo a relatar.

Quando nos reencontramos, depois de mais de vinte anos sem contato, convidou-me para almoçar em sua casa. Claro que me convidou também para o culto matinal de domingo, o que aceitei. Terminado o culto, fui com ele e a esposa para a casa em que eles viviam, que ficava atrás da igreja. Lá chegando, apontou-me um rack cheio de CDs e sugeriu que eu colocasse uma música enquanto ele tomava um banho e a esposa terminava de preparar a comida.

Quando passei os olhos pelos CDs, tomou-me um forte desespero: Só música gospel. E música gospel combina tanto comigo quanto uma bicicleta combina com um peixe. Mas lá na prateleira mais baixa, ao nível do solo, onde ninguém olha costumeiramente, meus olhos captaram um vislumbre de esperança: um CD de rock! Metallica, para ser mais preciso. Uma das minhas bandas prediletas. O álbum era “Master of Puppets”, que considero o melhor deles. Imediatamente coloquei o CD para tocar. O volume havia sido deixado um pouco alto quando utilizaram o aparelho anteriormente. Mas quem é que quer ouvir Metallica baixinho, não é mesmo?

Não se passaram mais do que dez ou quinze segundos para que o meu (ex-)amigo chegasse à sala, ainda enrolado em uma toalha. A esposa, esbaforida, chegou quase ao mesmo tempo da cozinha. Ele chegou primeiro ao som e cortou o volume por completo. Depois pegou um par de fones de ouvido e entregou-me, dizendo: “Se quer ouvir música ‘do mundo’, tudo bem. Mas só ouvimos isso com fones para não escandalizar a igreja.”

Curioso, perguntei se ele achava que aquilo era “pecado”. Ele disse que não, mas que a igreja considerava e ele, por isso mesmo, só ouvia aquilo com fones. Insisti um pouco, perguntando por que ele não explicava para a igreja que aquilo não era nada demais e acabava com essa tolice, sendo ele o pastor. Ele me explicou que “não pegava bem”, no meio evangélico, dizer uma coisa assim. Que era preciso manter as tradições.

Quando eu expliquei que a única tradição que eu estava vendo era a tradição da hipocrisia, o clima azedou. Imediatamente senti que não era mais bem-vindo para o almoço. Dei uma desculpa qualquer e saí. Nunca mais voltei à casa dele. Ainda nos vimos algumas vezes, mas a amizade foi para o espaço. Afinal de contas, amizade depende de respeito. E eu não tenho nenhum respeito por hipócritas.

Caso 2: A namorada hipócrita

Já que estamos falando em hipocrisia, uma especialidade dos cristãos, permitam-me contar um caso ainda mais antigo que o que acabei de relatar. Este outro episódio data da minha juventude ainda, quando tive uma namorada evangélica.

Na verdade, várias. Devo dizer que sempre preferi namorar com moças evangélicas. Embora só tenha passado a estudar Psicanálise muito mais tarde, sempre soube intuitivamente que as repressões sexuais que essas moças sofrem desde a infância tornam-nas verdadeira bombas-relógio sexuais, de deliciosa explosão.

Esta jovem havia acabado de passar a tarde em meu quarto, em uma tórrida sessão de sexo. Como as camisinhas haviam acabado e temíamos uma gravidez, o último round havia sido de sexo oral recíproco.

Ainda tínhamos em nossas bocas o gosto dos fluidos um do outro, quando ela perguntou se poderia usar o telefone. Naturalmente, disse eu, pensando que era uma cortesia mínima para quem havia acabado de me proporcionar tanto prazer. Então ela pegou um número na bolsa e ligou para uma menina da sua igreja.

Devo esclarecer neste ponto que a minha namorada em questão era de uma igreja batista do bairro da Penha, onde exercia o cargo de “líder do grupo de louvor”. O que, para mim, significava apenas que ela falava muito bem no microfone, se é que me entende o leitor…

Tendo a outra moça atendido, minha namorada passou a dar uma bronca terrível nela. Pelo que eu pude entender, a outra moça, que era também do louvor, havia sido vista “dando uns amassos” em um muro perto da igreja. Minha namorada a estava advertindo e explicando, em termos enérgicos, que ela estava suspensa do louvor por “imoralidade”.

Eu confesso que fiquei chocado com o nível de hipocrisia dela. Ali estava aquela moça, que havia passado a tarde fazendo sexo comigo de todas as formas que o leitor puder imaginar, e algumas que não imagina, dando uma bronca na outra por ter sido vista dando uns beijos no pé de um muro.

Quando ela desligou, perguntei se ela não sentia vergonha por dizer todas aquelas coisas à colega por tão pouco, sendo que ela havia acabado de “pecar” muito mais. A resposta dela foi devastadora: “Tá. Mas ninguém viu o que eu fiz aqui.”

O namoro acabou ali. Eu, que achava a grande devassidão dela deliciosa, não conseguia conviver com a hipocrisia dela, que era ainda maior.

Caso 3: O pastor trambiqueiro

Sim, eu tenho muitos amigos pastores. Andar em más companhias sempre foi um dos meus “pecados” favoritos. Que posso fazer?

Um desses amigos havia acabado de fundar sua própria igreja batista “reformada” (um sinônimo para “pentecostal”), depois de ter sido expulso da Convenção Batista Brasileira por começar a “falar em línguas”.

Eu sabia que ele estava enfrentando dificuldades. Poucos membros, pouco dízimos. Não foram poucas as vezes em que fiz compras e levei para a casa dele, de modo que sua esposa e seu filho não passassem necessidades. É parte do meu “jeito ateu de ser” fazer coisas assim.

Acontece que, nessa época, troquei meu computador. Trabalho com isso e não posso ficar muito ultrapassado tecnologicamente, então troco meus computadores a cada ano e meio no máximo. E como eu sabia que o meu amigo desejava muito ter um computador na igreja dele, resolvi doar o antigo para ele.

Para minha surpresa ele já havia recebido um computador como “oferta”. Agradeceu-me e disse que se eu realmente quisesse ajudar, um outro pastor conhecido dele, que estava vivendo uma fase semelhante, havia comentado o quanto desejava um computador.

Ora, para mim não fazia diferença alguma quem receberia o equipamento. Fomos então no meu carro até a igreja do amigo dele, a quem ofereci o computador.

Ao contrário do meu amigo, que era uma pessoa de grande educação e gentileza, o outro pastor mostrou-se frio e arrogante. Tratou-me como se eu quisesse vender o computador, embora tenhamos deixado claro que era uma doação. Perguntou-me quanto valia aquele computador. Como a história é antiga, não lembro bem o valor que mencionei, mas lembro de ter insistido novamente que eu não queria pagamento, que era uma doação.

Ele insistiu que eu recebesse. E insistiu de novo, de novo… Acabei achando que ele estava envergonhado de receber uma doação valiosa de um completo estranho. Então dividi mentalmente o valor do computador por dois. E dividi de novo. Digamos, para efeito de exemplo, que o equipamento valesse quatrocentos reais. Eu disse que aceitaria cem reais como pagamento. Não era mais uma doação e ele não precisava mais ficar envergonhado, se fosse esse o caso. E eu estaria ajudando do mesmo modo, fazendo para ele um preço praticamente simbólico.

Foi aí que ele perguntou se eu aceitaria um cheque pré-datado.

Entediado com a atitude dele, expliquei que se ele não tinha o dinheiro, era mais fácil simplesmente aceitar a doação. Ele insistiu novamente e fez um cheque, datando-o para trinta dias adiante. Nos despedimos e fomos embora.

No mês seguinte, o cheque dele voltou.

Eu retirei o cheque do banco e fui até a casa dele. Não era minha intenção cobrar nada. Eu não queria aquele dinheiro e só havia recebido o cheque mediante a insistência dele. Só queria entregar o cheque para que ele o apresentasse a seu banco e pudesse eliminar a anotação de emissão de cheque sem fundo, que poderia prejudicá-lo.

À porta, a esposa dele disse que ele não estava. Eu estava de moto nesse dia. Parei em um bar na esquina da casa dele e pedi um refrigerante gelado. O dia estava quente e eu estava de blusão de couro e capacete, cozinhando ao sol do interior da Bahia. Estávamos em Juazeiro.

Mal havia começado a tomar meu refrigerante quando vi o portão da garagem da casa dele abrir-se e o referido pastor sair com seu carro. Ele estava em casa quando eu bati e não quis atender-me, provavelmente acreditando que era uma cobrança.

Agora eu estava furioso. Joguei o dinheiro do refrigerante no balcão e nem mesmo peguei meu troco. Coloquei o capacete, arranquei com a moto e segui o carro dele.

Lá na frente, quando ele parou em um sinal, abordei-o. Mesmo furioso, ofereci a ele o cheque, dizendo que não queria receber o dinheiro dele e que ele não precisava fugir de mim nem mentir. O homem ficou furioso: “Um servo do senhor não mente. O senhor está atacando um homem de deus e isso não vai ficar barato. Passe na minha igreja esta noite e eu pago o senhor.”

Agora eu queria receber. Só pela arrogância dele, eu queria receber. Telefonei para o nosso amigo em comum, que nos havia apresentado, pegando o endereço da igreja dele. Fui ao culto e lá estava ele, no púlpito, pregando moralidade e honestidade. Ao ver-me na primeira fila, convocou outra pessoa para conduzir a oração e chamou-me ao seu escritório. Seguiu-nos até lá um senhor de mais idade, que se apresentou como dono de uma loja de tintas na cidade. O homem foi quem tirou o dinheiro do bolso e resgatou o cheque.

Vejam o caráter débil dessa criatura. Preferiu dar um calote, mentir e explorar outra pessoa para que pagasse sua conta, quando poderia simplesmente ter sido humilde e aceito o computador como doação.

Esses são apenas alguns dos casos que me fizeram desacreditar do Cristianismo e dos cristãos. Não se trata de preconceito, como eu já disse. É mais um sólido conceito baseado nessas e em muitas outras experiências similares que vivenciei.

Querem saber como eu tive tantas experiências com cristãos? Pois esperem até fevereiro do ano que vem, quando lançarei meu livro “Por dentro da igreja cristã”, no qual relato a experiência de ter vivido por um ano como pastor, frequentando centenas de igrejas em vários estados brasileiros.

Sim, para conhecer de perto a hipocrisia e as fraudes das igrejas cristãs, eu fui um falso pastor por um ano inteiro. E tudo que descobri foi que a maioria dos pastores são falsos pastores por toda a vida…

Se acabarem com a PM, a violência já diminui

Talvez a afirmação no título desta postagem pareça contraditória, mas procurarei explicar melhor o que afirmo no decorrer do texto. E para começar a explicar, sugiro que leiam a manchete abaixo.

É isso mesmo que você leu! A PM carioca matou 1500 pessoas em 14 meses! E isso com várias restrições do STF contra as operações em favelas no período da pandemia. São mais de 107 pessoas por mês. São 3,5 pessoas por dia. Como não é fácil pensar em “meia pessoa”, prefiro pensar que foram 7 pessoas a cada dois dias, durante 14 meses seguidos!

Na verdade, eu gostaria de pensar que um morticínio como esse não está acontecendo debaixo dos nossos olhos. Melhor ainda, eu gostaria de pensar que todos estão genuinamente preocupados com essa questão, buscando soluções para que isso não mais aconteça.

A verdade, porém, é que tem gente demais aplaudindo esse genocídio. Apresentadores de televisão falam, com um sorriso no rosto, sobre “CPFs cancelados”. O próprio presidente da república, que parabeniza sempre os policiais que matam em serviço e até defende uma legislação para que eles possam matar sem investigações subsequentes, aparece alegre e contente em meio a essa piada sem graça. Ao seu lado está o ministro da educação, que também é um pastor evangélico. Está sorrindo como os demais, de forma bem diferente do Jesus que ele diz servir.

Essas pessoas estão assim felizes porque outras pessoas foram assassinadas!

Se você votou nesse tipo de gente, provavelmente pensa como eles e precisa saber do meu total desprezo por você e por todos do seu tipo.

Mas voltemos ao assunto das polícias militares assassinas…

Ainda ontem assisti a um vídeo no qual policiais militares abordam três rapazes que, após verificação, estavam completamente “limpos”. O policial dispensa o primeiro, dispensa o segundo, depois começa a agredir a tapas e pescoções o terceiro. A coisa culmina com o rapaz ganhando um chute na cabeça e caindo desacordado, enquanto os policiais entram na viatura e partem.

Nem vale a pena mencionar o fato de que o policial em questão não é nenhum “valente”, mas exatamente o oposto. É um covarde que só age assim com a proteção da farda veste e da arma que carrega. Sem essas coisas, não teria coragem de dar um tapa em alguém, com medo da represália.

O que Bolsonaro, Sikera Junior e tantos outros imbecis que defendem o “cancelamento de CPFs” não contam para a população em geral, é que isso não contribui em nada para a redução da criminalidade. Porque o policial assassino logo percebe que ele também é um criminoso e que, por conseguinte, pode lucrar com a exploração do crime.

Na hora em que o policial agride impunemente ou até mata impunemente, ele percebe que a estrutura legal está viciada e que há, sim, a possibilidade de escapar impune. Então ele explora essa possibilidade, formando as tristemente famosas milícias.

É isso que tem acontecido no Brasil desde os tempos do regime militar. Grupos de extermínio como o “Mão Branca”, bastante populares no Rio de Janeiro dos anos 80, são uma excrescência de um sistema policial punitivista.

Aliás, o próprio ocupante do Palácio do Planalto, quando deputado, convidava grupos de extermínio de outros estados para mudarem para o Rio de Janeiro, sua base eleitoral, prometendo a eles seu total apoio.

Duvida? Então ouça isso!

Bolsonaro deputado, em 2003, defendendo os grupos de extermínio no Congresso Nacional

No Brasil não se pensa em recuperar criminosos, mas em puni-los. E essa punição, na mente das pessoas em geral, pode ser através da lei ou de meios escusos. Não interessa, porque as pessoas foram convencidas de que o policial que executa um bandido está fazendo um favor à sociedade, quando ele está mesmo é violando a lei.

O comerciante que pagava policiais para eliminarem bandidinhos do seu bairro, agora é extorquido pelas milícias. E sob um certo aspecto ele nem mesmo se importa com isso, porque na cabeça dele (treinada no punitivismo), o policial mal remunerado está apenas cobrando um “extra” para resolver o problema da criminalidade.

As milícias são mais perigosas que os bandidos que elas afastam ou matam. Porque elas são formadas por policiais, homens e mulheres a quem a sociedade confiou a tarefa de garantir a segurança. Policiais que recebem do Estado autoridade e meios para executar as mesmas atividades criminosas que deveriam combater.

Quando um policial mata (fora das situações da estrita legítima defesa) você e eu somos cúmplices. Nossos impostos pagaram a arma e a bala que ele usou. Nossas leis burguesas dão a ele o poder do qual ele abusa. Nosso olhar para o outro lado garante sua impunidade.

As polícias militares são caras, ineficientes e possuem grande propensão ao crime.

Por que elas são mantidas, então?

São mantidas porque a nossa sociedade foi ensinada a acreditar nelas, mesmo quando sabemos perfeitamente que não funcionam, como mostra o ator Bemvindo Sequeira neste vídeo.

A extinção da PM carioca teria salvo mil e quinhentas vidas humanas nos últimos 14 meses apenas.

Ah, eu sei que você punitivista vai perguntar algo do tipo: “E quem você vai chamar quando for assaltado?”

Se essa pergunta passar pela sua mente, ou você não assistiu ao vídeo do Benvindo ou tem sérios problemas cognitivo, assistiu e não entendeu nada.

E eles foram felizes enquanto deu…

Ah, o amor romântico! Que coisa linda o amor romântico!

É tão bonito nos filmes quando toda a dramática história de um casal termina com um lindo beijo, culminando com as letras subindo na tela e mostrando o encerramento: “The End”.

Acontece que não há letrinhas subindo na tela da vida. O beijo não é o fim das histórias de amor. Na verdade, muitas vezes é apenas o começo delas. E o fim, em mais casos do que gostamos de pensar, não tem nada de romântico. Para muitos é até catastrófico!

Não vou atribuir ao romantismo todos os males dos relacionamentos humanos. Mas direi, sem medo de errar, que eliminar esse falso romantismo dos livros e dos filmes pode ajudar a tornar as vidas de muitas pessoas muito melhores.

O mito do amor romântico, eterno, exclusivo, indissolúvel, sempre ardente… Não passa de mais um mito em uma era de tantos mitos, todos muito frágeis, falsos e danosos.

O problema do mito do amor romântico é que muitos acreditam nele. E por acreditarem, constroem expectativas difíceis, praticamente impossíveis, de serem satisfeitas.

Não há casal eternamente ardente no sexo, por exemplo. Muitos casam-se lá pelo final dos vinte, esperando que o ardor dos primeiros meses se perpetue, dure até que estejam ambos na meia-idade, quiçá até na velhice.

Esse mito começa a desfazer-se quando vem o primeiro filho. Não há casal ardente nos primeiros meses depois de um parto. Ela exausta fisicamente pelos nove meses de gestação. Vem também a prolactina, hormônio que incentiva a produção de leite e reduz drasticamente a libido feminina durante a lactação. Ambos esgotados por acordarem várias vezes por noite para amamentar e trocar fraldas. E tudo isso diante da estatisticamente improvável hipótese do pai ajudar nessas coisas! Em muitos casos é apenas a mulher quem vai lidar com tudo isso. E ainda com as exigências sexuais dele…

Sim, eu sei que você dirá que os filhos não ficam bebês para sempre. E eu concordarei, desde que você concorde que isso não muda nada. E se muda, é para pior. Quem tem filhos sabe do que estou falando. Uma hora é a exaustão de passar o dia no trabalho e depois ter de dar atenção àquela criança cheia de energia que você ama. Outra hora é a criança que chama na hora H e quer dormir na cama com vocês, porque acredita que tem um monstro debaixo da cama dela. E aquele tesão monstro, que vocês estavam começando a cultivar naquele momento, vai por água abaixo.

Quando tudo isso acaba e os filhos estão morando em suas respectivas casas, vocês estão na meia idade. Os corpos fortes e flexíveis de outrora agora acumulam duas coisas que vocês nem sabiam o que eram quando casaram: dores e tecido adiposo!

Há também o mito romântico da exclusividade. Porque você casou com ela e ela casou com você, ambos precisam tornar-se cegos para os atrativos de outras pessoas. Mas vocês não ficam cegos. Fingem, olham dissimuladamente, fecham os olhos na hora do sexo e pensam em outras pessoas. Você pensa na vizinha gostosa do andar de cima. Ela no personal trainer da academia. Ou ela pensa na vizinha gostosa do andar de cima e você no seu personal trainer da academia. Não importa muito. O que importa é que atrações surgirão e vocês terão de viver uma vida de contenção, de recalque, de frustração, sem aproveitar as oportunidades de prazer que aparecem. Tudo por causa do mito romântico da exclusividade, que não decorre de nenhuma forma de amor, mas surge como uma forma de preservar o patrimônio das famílias, assegurando que os filhos do casal tivessem sempre pais dentro do casal e nenhum filho de um estranho herdasse daquele patrimônio. Mas que raios! Hoje há camisinhas, pílulas, pílulas do dia seguinte e muito mais! Por que vocês continuam frustrados e recalcados?

O bolo de divórcio pode ser tão saboroso quanto o de casamento…

Ah, o mito da indissolubilidade! Esse é talvez o mais perigoso e fatal de todos. Basta ler os jornais e todos os dias você lerá sobre um cadáver, algumas vezes mais de um, gerado pelo mito da indissolubilidade.

Praticamente todos os dias uma mulher é morta por um ex-companheiro, pelo simples fato de não querer mais seguir com a relação. Em alguns casos o ex-companheiro até aceita que ela se separe, mas não que tenha outra pessoa. Quando ela arranja um namorado ou namorada, é assassinada. Mais um sacrifício ritual nos altares do amor romântico.

Mais raramente acontece o oposto. É ela quem não aceita o fim do relacionamento e mata. Ainda esta semana li sobre uma policial civil do Distrito Federal que já foi presa quatro vezes por agredir, assediar ex-companheiros ou violar ordens de restrição solicitadas por eles. Na última vez, furou os pneus do carro dele com uma faca. E quando ele apareceu para reclamar, esfaqueou-o nas costas. O caso me parece a crônica de uma tragédia anunciada. Cedo ou tarde ela conseguirá uma arma e matará. Ou ele a matará, na tentativa de não ser morto por ela. Duas vidas destruídas pelo mito do amor romântico.

Não seria tão bom se nada disso existisse?

Não seria tão bom se as pessoas caminhassem juntas por um tempo e quando reconhecessem que seus caminhos não mais coincidiam, seguissem suas vidas sem culpas e recriminações, cada um para o seu lado?

Não seria tão mais simples se as pessoas compreendessem que o sexo casual com outras pessoas, por puro tesão, não é uma ameaça ao amor? E que se no meio desses envolvimentos casuais surgisse um interesse mais duradouro, isso era um sinal claro de que o tal amor não existia mais?

Não seria tão mais bonito se as pessoas pudessem dizer “adeus” para quem haviam amado sem tantas mágoas, guardando no peito apenas momentos bons, nunca ressentimentos?

Tudo isso é impedido pelo mito do amor romântico.

Essa concepção falsa de que o amor é único, exclusivo, eterno, ardente… só tem servido para arruinar vidas, frustrar pessoas, destruir felicidades.

A minha proposta é que solicitemos aos escritores e cineastas que troquem a frase final. No lugar do “e foram felizes para sempre” e do “fim”, coloquem mais ou menos o seguinte.

“E eles seguiram juntos por algum tempo. E foram felizes, até que não deu mais…”

A polícia do pensamento está no LinkedIn

A rede social profissional da Microsoft, o LinkedIn, tornou-se um show de horrores nos últimos tempos, com a censura sendo aplicada a todos os que ousam desafiar os interesses da extrema-direita, do agronegócio e dos divulgadores de notícias falsas.

Cerca de três meses atrás publiquei no LinkedIn um artigo sobre os problemas nunca comentados do agronegócio. Sim, porque todos falam que “o agro é pop”, devido a uma propaganda paga pelo próprio agronegócio, mas todos esquecem dos problemas que menciono neste artigo aqui. Meu artigo, como poderá constatar quem o ler, não tem nenhuma ofensa a quem quer que seja, não tem nenhuma palavra que possa ser considerada “indecente”, não tem nem mesmo qualquer alusão a empresas específicas. É um artigo genérico, falando dos males do agronegócio em geral.

Vinte minutos depois de publicado o meu artigo foi tirado do ar.

Sem qualquer explicação. Sem qualquer informação. Sem qualquer justificativa. Nada. Removido sem me dar qualquer chance de defesa.

Não aceitei isso com naturalidade. Não passei os últimos 41 anos de minha vida lutando contra a opressão do Capitalismo, para agora ver os interesses do grande capital triunfarem tão facilmente. Iniciei imediatamente uma campanha denunciando a remoção indevida em diversas redes sociais. No final do dia o meu artigo foi colocado no ar novamente, com um pedido de desculpas por parte do pessoal do “LinkedIn Help”, a turma que revisa essas coisas.

Essa não foi, nem de longe, a minha única briga com o LinkedIn.

No começo deste ano um militante bolsonarista ameaçou-me de morte no LinkedIn, além de discriminar-me por ser nordestino de nascimento. Segundo ele, “o capitão quer sangue de macaco”, numa clara alusão ao “capitão” Jair Bolsonaro.

A primeira postagem, tratando-me mal por ser nordestino.
A segunda mensagem, advertindo-me de que Bolsonaro (o capitão dele) quer meu sangue.

Em se tratando de um bolsonarista, nada disso surpreende. São pessoas incultas, incivilizadas, cheias de preconceitos e muito agressivas. O que surpreende mesmo é o LinkedIn dizer, após minhas denúncias, que estas postagens não violam as políticas do site.

Em resumo, a resposta do LinkedIn foi uma confissão de que as políticas do site permitem que qualquer pessoa da extrema-direita ameace e discrimine qualquer um que discorde, já que a extrema-direita é a defensora do grande capital, que está sempre por trás dessa rede social, patrocinando-a.

Dessa vez eu não consegui reverter a decisão do LinkedIn. O agressor continua por lá, à solta, embora eu o tenha bloqueado. Como costumo dizer, meus olhos e ouvidos não são pinicos para que eu tenha de ler e ouvir tanta merda.

Duas semanas atrás fui agredido verbalmente por outro bolsonarista. Mas além de denunciar, respondi. Sem usar de palavreado chulo, sem igualar-me a ele, mas sendo firme ao negar que ele tivesse o direito de me tratar daquela forma.

Passei três dias suspenso do LinkedIn por defender-me. A tal “rede social profissional” não me defende e nem permite que eu me defenda! O ambiente foi transformado em um território de caça, onde os bolsonaristas podem tudo e os demais devem aguentar calados, sob pena de serem suspensos ou banidos.

Banimento do LinkedIn foi o que aconteceu esta semana ao amigo João Domenech, uma das pessoas que menos merecia tal destino.

João vinha fazendo, há cerca de dois anos, uma verdadeira cruzada contra as milícias bolsonaristas que infestam o LinkedIn. E suas armas eram sempre legítimas, denunciando, expondo os agressores, expondo as fake news. Ele sempre recomendou cautela a todos, sempre apontando que não era saudável entrar em discussões com os bolsonaristas, porque eles provocavam justamente para nos comprometer. João atuava como um pacifista no LinkedIn, um Gandhi sempre pregando a não-violência.

Não adiantou. Como ele não se curvou nunca aos delírios histéricos da extrema-direita, nem aos interesses escusos do grande capital, acabou sendo banido da rede esta semana. Porque as regras do LinkedIn são bem claras: Só se pode ficar concordando plenamente com os desmandos da extrema-direita e massageando o ego das grandes empresas. E, é claro, postando coisas inócuas, como mensagens de “força, foco e fé”.

O LinkedIn agiu com o amigo João Domenech como a Polícia do Pensamento no romance “1984”, de George Orwell. Ele não foi punido por ter feito algo errado, mas porque eles imaginaram que ele poderia fazer.

As grandes corporações, como a Microsoft o Facebook e o Google, não são mais meras empresas, mas verdadeiros governos transnacionais. Operam em países como o Brasil sem qualquer respeito pelas nossas leis ou pela nossa Constituição.

Não tardará muito para que essas empresas percebam que podem subverter, apoiadas como são pelo grande capital, inteiramente as democracias de todo o mundo. O Facebook já fez isso com a Cambridge Analytics. Elon Musk admitiu publicamente ter financiado o golpe de Estado contra Evo Morales.

Será essa a opressão final do capital? Será que nossa próxima ida às trincheiras não será para combater o fascismo dos governos, mas sim o fascismo empresarial?

É bom pensarmos nisso logo, enquanto ainda nos permitem pensar…

Olhando apenas uma face da moeda

Cara ou coroa?

Quem nunca brincou disso quando criança? Ou nunca utilizou a aleatoriedade deste jogo para decidir alguma coisa? Talvez até uma coisa importante?

Quando era rapaz, lá nos remotos anos 80, estava com um amigo em uma festa e notamos que uma jovem, bastante bonita por sinal, que estava em uma mesa distante, olhava para a nossa mesa. Não conseguíamos saber, o Rui e eu, para quem ela estava olhando. Então, tiramos no “cara ou coroa” para saber quem iria lá conversar com ela. Ele ganhou e foi até lá. Acabaram casando. Não durou muito, claro, como os outros sete casamentos seguintes desse meu amigo. Pelo menos os que ele teve até que perdemos contato e parei de contar.

Sempre imaginei que eu havia sido o ganhador, pois quando jovem a ideia de casar repugnava-me. Por que ficar com uma mulher, pensava eu, quando há tantas outras por aí?

Hoje, casado há dez anos e pai, não consigo imaginar minha vida sem minha esposa e meu filho. Talvez o Rui tenha mesmo vencido no “cara ou coroa”, não é mesmo?

Sempre que penso nesse joguinho simplório, mas tão usado, não consigo deixar de considerar o quanto é importante termos essa visão de (pelo menos) dois lados para tudo nessa vida. E entristeço ao perceber que as pessoas, nos últimos tempos, perderam essa visão.

Na verdade, não me entristeço tanto assim. Não ligo tanto para as pessoas quanto pode parecer. Ou mesmo quanto deveria ligar. A verdade é que sou um tanto misantropo e que os únicos seres humanos cuja companhia realmente gosto por longos períodos são justamente a minha esposa, Daiely, e o meu filho, Dionysio.

O que acontece nos dias de hoje é que as pessoas só querem ver/ouvir/ler as coisas que confirmam o que elas já pensam. E com isso, suas crenças, por mais absurdas que sejam, acabam sendo mais e mais reforçadas.

Pergunto-me ocasionalmente: De onde veio esse padrão de comportamento?

Parte dele, dizem alguns, foi instigado pelas redes sociais. Os botões de block são responsabilizados, com a alegação de que permitiram isolar as discordâncias, reduzindo-as ao silêncio.

Outros culpam os políticos populistas por tudo isso. E não é sem razão, porque eles contribuíram com o discurso de “não veja o que a oposição diz”.

Será, no entanto, que é apenas isso?

Não, eu não creio que seja.

A verdade é que sempre tivemos essa característica. Cada um de nós sempre tentou privilegiar o próprio discurso egóico, dando a si mesmo total razão e desacreditando qualquer pessoa discordante. As redes sociais e os políticos populistas apenas perceberam isso e exploraram esta característica humana conforme seus próprios interesses.

Quem nunca conheceu alguém que mente descaradamente e, mesmo diante do total desmascaramento, alega que está dizendo a verdade e que todos os outros, que estão enxergando a verdade, estão mentindo?

Quando via isso eu costumava achar que se tratava de má fé, de uma tentativa desesperada de manter-se com a razão mesmo quando os fatos iam contra o que essa pessoa dizia. Hoje penso de forma completamente diferente.

Assim como o conteúdo manifesto de um sonho, segundo Freud, difere completamente do conteúdo real, fazendo com que o sonho que o sonhador lembra seja diferente do sonho que ele teve de fato, é muito possível que haja uma “realidade manifesta” na mente de cada pessoa. E que essa realidade manifesta pareça a ela mais real do que a realidade concreta que você tenta, sem sucesso, fazer que ela enxergue.

Claro que isso se manifesta de forma diferente em cada pessoa. Em maior grau em umas, em menor grau em outras. Mas todos nós, essencialmente, temos a nossa versão da realidade. E gostamos tanto dessa versão que tendemos aos paroxismos da violência quando essa versão é desafiada. O homem que acredita na fidelidade da esposa infiel não hesitará em trocar insultos e até socos com o amigo que, pensando que o está ajudando, denuncia a adúltera.

A realidade manifesta é melhor que a realidade concreta, porque nela nos sentimos mais confortáveis e menos ansiosos.

Qual seria o nível de ansiedade de um eleitor de Bolsonaro, vendo a economia ruindo devido ao descaso e aos interesses escusos do governo? Vendo as pessoas morrendo como moscas porque o presidente disse que era uma “gripezinha” e estimulou todos a se aglomerarem? Vendo o primogênito do presidente comprar uma mansão de preço exorbitante e pagar por ela, em dinheiro vivo, com a mesma quantia que é acusado de desviar com as “rachadinhas” durante seu mandato como deputado estadual?

Para fugir deste stress, desta tensão, desta ansiedade, cada um deles constrói uma realidade manifesta na qual a culpa de tudo isso é do PT, dos comunistas, da Rede Globo e da OMS. O presidente, nessa realidade manifesta, é o herói que está salvando o país dos comunistas, impedindo que o país se torne uma Venezuela.

Não importa, nesse caso, que pessoas estejam catando ossos no lixo como os venezuelanos. Não importa que estejamos bem perto de inverter o fluxo migratório, passando a ter brasileiros fugindo para a Venezuela. Não importa a volta da inflação nem o preço exorbitante da gasolina. Na realidade manifesta de cada bolsonarista, aqui é melhor porque não temos “comunismo”.

A Venezuela, no entanto, já está aqui. E o herói dessas pessoas só não deflagrou seu golpe de Estado ainda, porque este ainda não está maduro…