Nossa luta é contra o bolsonarismo, não apenas contra Bolsonaro

Agradeço a todos que mostraram preocupação depois do meu artigo anterior. Estou bem melhor agora. Tanto que já retornei totalmente às minhas atividades profissionais. E foi justamente no exercício destas que encontrei o assunto para este artigo.

Conversava ontem com colegas de um projeto, quando um deles soltou a seguinte frase: “Ah, eu não defendo Bolsonaro não, mas tomar vacinas sem saber o que tem nelas é ruim, não é?”

Tenho lido e ouvido frases assim por todos os lados. No Quora, no LinkedIn, no Facebook, no Twitter… em todas as redes sociais que frequento, tenho observado gente que diz que não apoia o Bolsonaro, mas logo em seguida começa a defender as ideias idiotas dele com afinco.

No início eu pensei que se tratava apenas de mais uma estratégia covarde. Afinal de contas, Bolsonaro fica cada dia mais indefensável para quem tem o mínimo de decência. Então, pensei eu, os bolsonaristas estão fazendo isso como uma forma de defesa indireta, ou seja, dizem que não defendem o próprio Bolsonaro, mas defendem as ideias que ele propaga, o que acaba dando no mesmo.

Depois eu percebi que o fenômeno é outro. Não se trata, pelo menos para a maioria, de uma estratégia indireta para defender o Bolsonaro, mas sim de algo muito maior: O BOLSONARISMO TRANSCENDEU BOLSONARO!

Sim, é isso mesmo. O bolsonarismo tornou-se maior que aquele que o criou. Bolsonaro ficou para trás e suas irritações constantes no “cercadinho” mostram que nem ele suporta mais os níveis de estupidez que o bolsonarismo atingiu.

A situação dele assemelha-se agora com o caso do Dr. Victor Frankenstein, vítima do monstro que ele mesmo criou. Muitos bolsonaristas agora atacam Bolsonaro, simplesmente pelo fato de que ele não conseguir fazer todas as coisas estúpidas que esperam dele.

O bolsonarismo, ao contrário do que pensam muitos, não é um movimento político. Trata-se, sim, da primeira revolta formal dos ignorantes e estúpidos no Brasil. Estes compreenderam finalmente que são a maioria e querem o poder. E como são ignorantes, querem o poder total, não aceitam oposição e rejeitam qualquer coisa que questione sua idiotice, mesmo que tangencialmente.

O bolsonarista padrão é aquele sujeito que, há vinte, trinta anos, orgulhava-se de não estudar. Dizia que o importante era ganhar dinheiro e ridicularizava intelectuais. O bolsonarista é aquele que desprezava os professores porque estes ganhavam pouco, sem entender que os professores eram a única chance para que ele fosse um pouco menos estúpido.

É por isso que hoje um bolsonarista questiona o conteúdo das vacinas, como esse colega de projeto. Ele reflete todo um ciclo de estupidez, já que se concentrou em assuntos técnicos (ao ponto de tornar-se um desenvolvedor de software) mas fugiu de qualquer formação ampla. Era um daqueles que dizia “Para que tenho de estudar química ou biologia se não vou ser químico nem biólogo?”

Agora, completamente ignorante em termos de química e biologia, ele usa sua própria estupidez nessas duas áreas como argumento para rejeitar as vacinas, alegando que não quer usá-las porque não sabe o que há dentro delas.

Eu sei que posso parecer arrogante com minha atitude usual nesses casos: Eu humilho sem dó nem piedade os bolsonaristas em sua estupidez!

Foi exatamente o que fiz com esse colega de projeto que disse que seria ruim tomar vacinas sem saber o que elas contêm. Perguntei a ele se poderia me dizer qual era a fórmula do ácido acetilsalicílico ou desenhar a molécula desse ácido. Ele, é claro, respondeu que não sabia nem o que era aquilo. Respondeu com aquela risadinha de lado que caracteriza plenamente os ignorantes arrogantes, aqueles que se orgulham de sua própria estupidez. Então perguntei se ele já havia tomado aspirina na vida e ele disse que sim, que obviamente já havia tomado aspirina. Então expliquei que ácido acetilsalicílico era aspirina e que ele havia tomado a vida inteira esse medicamento sem saber o que havia nele. O mesmo se dava com vacinas. E que ele, por sinal, não teria nem mesmo condições intelectuais para compreender o processo de criação de uma vacina, ou mesmo de ler a bula se uma fosse esfregada na cara dele.

Sim, eu sei que sou grosseiro. Mas trata-se de uma questão de linguagem. Essas pessoas simplesmente não conseguem entender outra linguagem que não seja a da grosseria. Se estou no centro de Berlin e quero ter certeza que uma pessoa com quem vou falar me compreenda, tenho de usar o idioma alemão. Da mesma forma, se pretendo que um bolsonarista me entenda, tenho de usar a linguagem da grosseria e da estupidez, que é a única que eles entendem.

Um outro caso de grosseria assim, de minha parte, aconteceu com um conhecido aqui do bairro, que tem um mercadinho na rua paralela à minha. Cheguei lá para comprar alguns produtos, justamente no dia em que o (des)Governo Bolsonaro cortou 92% das verbas da pesquisa científica no Brasil. O dono do mercadinho estava conversando com amigos bolsonaristas e vibrando. Segundo ele a pesquisa científica era algo inútil, “coisa de comunistas”, e as universidades eram apenas lugares para fumar maconha e fazer orgias.

Lá pelo começo do milênio, quando eu estava na casa dos trinta, eu teria dado um murro nele sem hesitar. Sofro de uma aversão total e irrestrita à ignorância.

Hoje em dia, mais calmo (ou apenas mais consciente de que brigar é um esforço acima das minhas capacidades), preferi recorrer à velha e boa humilhação. Perguntei a ele que universidade ele havia frequentado. Então ele, na frente dos amigos, teve de dizer que nunca havia entrado em uma universidade. Então expliquei que eu já sabia disso, porque conversava com ele constantemente e observava o quanto ele falava errado, de modo que sabia que ele não tinha condições intelectuais para ter cursado uma faculdade, fosse ela qual fosse. Então expliquei, nos termos mais rudes que consegui lembrar, que além de nunca ter pisado em uma universidade, ele não tinha condições intelectuais para entender o que era pesquisa científica e muito menos para entender os resultados da pesquisa científica. Também não tinha vivência universitária para saber sobre maconha e orgias e que a bronca dele com as universidades era justamente pela incapacidade de entrar em uma delas.

Retirei-me, deixando-o calado, sem ter o que dizer. Sei que logo em seguida ele e os colegas retornaram para a estupidez habitual, mas isso não me importa. É importante humilhar a ignorância dessas pessoas, para que elas voltem a ter vergonha de expressar essa ignorância, como aconteceu por séculos.

Por séculos, milênios, ser estúpido era motivo de vergonha. As pessoas que nada sabiam tinham vergonha disso e, por conseguinte, ficavam caladas quando estavam perto de alguém com maior conhecimento.

Com o advento das redes sociais, os estúpidos passaram a conversar entre eles. Perceberam então que eram a maioria. E como maioria eles sentiram que tinham poder. Dentro dos regimes democráticos, a maioria pode praticamente tudo. Aqui no Brasil a maioria de estúpidos percebeu que podia eleger um deles para a presidência da república. E foi assim que surgiu Bolsonaro.

Então, não se iluda. Não é o bolsonarismo que é filho de Bolsonaro. Na verdade, é exatamente o oposto. Bolsonaro foi apenas a forma que as massas ignorantes e estúpidas encontraram para ter um representante delas governando o país. Bolsonaro é filho desse movimento revolucionário dos ignorantes e estúpidos. O movimento ganhou o nome de “bolsonarismo” apenas por um acaso histórico. Se não fosse Bolsonaro, eles teriam achado outro ignorante e estúpido para colocar na presidência.

É por isso que não basta lutar contra Bolsonaro. Temos de combater o bolsonarismo, ou seja, esse movimento de estupidez e ignorância que o colocou no poder.

É preciso colocar os ignorantes e estúpidos de volta nos seus lugares. É preciso calá-los. Não adianta nem falar que a educação pode curá-los, porque será impossível educá-los sem calá-los primeiro. Eles não conseguirão aprender nada fazendo o barulho que hoje fazem.

Para que tenham vontade de aprender, é mister que compreendam primeiro que a ignorância é ruim. E só compreenderão isso no momento em que a usarem e sentirem o peso da humilhação que lhes é imposta por serem como são.

Desculpe, estou na minha fase depressiva…

É muito provável que vocês leiam poucos artigos meus nos próximos dias. Não escrevo nada desde a quinta-feira passada e sinto pouca vontade de fazê-lo. Aliás, sinto pouca vontade de fazer qualquer coisa nesses últimos dias. E o motivo para isso poucas pessoas são capazes de entender, especialmente as que me conhecem um pouco melhor. Eu, que pareço sempre tão alegre, tão animado, sempre brincando, sofro de ondas de depressão muito profundas, embora raras.

As pessoas que veem o Ed de Almeida sempre brincando, sempre fazendo uma piada, sempre com um sorriso nos lábios, dificilmente são capazes de imaginar como são as minhas fases depressivas. E isso acontece porque elas estão acostumadas a ver muito mais em mim a outra fase do meu transtorno, que é a fase preponderante, ou seja, a fase maníaca.

Pessoas como eu sofrem do que é normalmente qualificado como “transtorno maníaco-depressivo”. Isso quer dizer que nós alternamos duas fases diametralmente opostas, uma maníaca, outra depressiva.

Na fase maníaca, que é a preponderante em mim, eu sou sempre um poço de energia. A minha esposa costuma dizer que sou a única pessoa que ela conhece que acorda de madrugada (levanto-me diariamente por volta das quatro horas, quando ainda está escuro) com bom humor. Desde o começo do nosso casamento ela, que adora dormir, diz que não pode ser normal acordar cedo com tanta alegria. E só nos últimos anos ela tem compreendido um pouco melhor o quanto ela estava certa nessa primeira avaliação.

Porque aquela energia toda, que me faz pular da cama e lavar a louça do dia anterior cantando velhas canções hebraicas e italianas com as janelas abertas, é apenas uma parte do meu problema. É uma parte agradável na maioria das vezes, porque as pessoas costumam olhar apenas a superfície. E quem não observa as coisas em profundidade tem a impressão que ali está um homem profundamente feliz, cheio de energia. Um senhor de meia idade (54 anos dentro de poucos dias…) com a energia de um garoto, cheio de bom humor, cheio de alegria de viver.

Um profissional de saúde mental, no entanto, compreenderia a minha energia excepcional pelo que ela realmente é: a fase maníaca de um maníaco-depressivo!

A psicose maníaco-depressiva abrange uma gama de transtornos mentais, que vão dos brandos ao mais graves. Ela se caracteriza justamente pela alternância entre fases maníacas, nas quais a pessoa parece sempre animada e cheia de energia, e fases depressivas, nas quais a pessoa parece ter exaurido toda sua energia e não consegue nem mesmo realizar com algum ânimo as tarefas mais básicas do seu cotidiano. O transtorno mais famoso que é classificado como maníaco-depressivo é o chamado Transtorno Bipolar.

O Ed de Almeida em uma fase maníaca é capaz de realizar sozinho, facilmente, o trabalho de três pessoas, não importando se é trabalho físico ou mental. Para satisfazê-lo eu tenho uma oficina completa de carpintaria, monto e desmonto computadores, tenho uma bancada de eletrônica onde gasto parte da minha energia fazendo montagens com o microprocessador Arduíno. Além disso, sempre estou trabalhando em dois ou três projetos pessoais de programação. E escrevendo… E fazendo mais uma infinidade de coisas.

O Ed de Almeida em uma fase depressiva não consegue nem mesmo assistir um filme inteiro sem dormir. É como se um peso terrível caísse sobre mim e em minha cabeça a única solução para os problemas do mundo, do meu mundo, fosse permanecer dormindo o tempo todo.

Como as fases maníacas são as preponderantes em mim, chegando a durar meses sem interrupção, enquanto as fases depressivas aparecem e vão embora em poucos dias, as pessoas que não convivem comigo diariamente sempre me veem como uma pessoa excepcionalmente alegre, risonha e produtiva. O que elas não sabem mesmo é como eu fico nas fases depressivas.

Nestas fases é como se uma sombra tomasse conta de mim. Não há nada que possa me animar. Coisas alegres me parecem tristes. Coisas tristes me parecem insuportáveis. Cada sugestão de diversão é, para mim, como uma facada no coração. Cada tentativa de animar-me só me deixa mais apático ou irritado.

Durante a fase depressiva, cada novo pensamento é uma nova dor. Se eu penso estar vendo uma solução para animar-me, logo vem aquela sensação de que essa possibilidade é vazia, de que aquilo vai representar apenas uma nova decepção, uma nova irritação.

Com o passar dos anos eu aprendi a simular. Em certa medida consigo fingir que estou bem, mesmo durante as fases depressivas. Aprendi a fazer isso para não ter de aturar as pessoas chatas e sem compreensão que ficam tentando animar-me. Não que eu as culpe de alguma forma. Elas simplesmente não compreendem. Só dois tipos de pessoas podem compreender as minhas fases depressivas: as pessoas treinadas para isso, como profissionais de saúde mental, e as pessoas que sofrem do mesmo transtorno que eu.

Embora o processo algumas vezes ocorra sem que eu mesmo perceba, há quase sempre um gatilho que me atira de uma fase para a outra. Pode ser uma briga com minha esposa, um problema no trabalho, um incidente qualquer. Até mesmo uma notícia. Tenho lido cada vez menos os noticiários por isso. Especialmente depois que me tornei pai. Se eu vejo uma notícia sobre algo muito ruim que aconteceu com uma criança, sinto logo que o gatilho pode disparar.

Minhas fases depressivas são breves. Algumas duram poucas horas, outras poucos dias. Nunca mais do que isso. Felizmente, porque eu não sei o que aconteceria se fosse o oposto, ou seja, se elas fossem as fases predominantes.

Esta fase na qual estou já começa a mostrar que está indo embora. Durou um final de semana apenas e agora eu sei que, se evitar os gatilhos, posso passar mais alguns meses sendo o tiozão alegre. Já começo a olhar para a pilha de pratos da pia com vontade de ensaiar “O Sole Mio”, e isso é uma boa coisa. Ou não.

Porque o problema para o maníaco-depressivo é justamente o desequilíbrio entre as fases. Eu não seria tão depressivo se não fosse tão maníaco. Se não fossem os imensos dispêndios de energia nas fases maníacas, eu não ficaria tão “no fundo do poço” durante as fases depressivas. As pessoas ditas “normais” são justamente as que não oscilam tanto.

Seja como for, que venha logo mais uma longa e produtiva fase maníaca. Ficar depressivo é ruim demais.

Se você conhece alguém assim como eu, faça a si mesmo e a esta pessoa um grande favor: NÃO ENCHA O SACO QUANDO ELA ESTIVER DEPRESSIVA!

O rei francês Luis XIII era um maníaco-depressivo. Nas fases maníacas ele era um grande jogador, caçador e dançarino. Dava imensos bailes e até tinha uma oficina onde gastava seu tempo produzindo cofres e fechaduras complexas que presenteava aos amigos. Nas fases depressivas, costumava ficar por horas a olhar pelas janelas do palácio, sem dizer uma palavra. E quando lhe passava por perto um cortesão, chamava-o para perto de si, dizendo: “Vem, encosta-te aqui na janela comigo e nos entediemos juntos.”

A quem não tem como simplesmente ficar calado e entediar-se ao meu lado, sem encher o saco com conselhos, sempre peço que se retire. Não há nada mais irritante do que aqueles conselhos bondosos e mal informados do tipo “Anime-se!” ou “Ah, mas você é sempre tão alegre”.

Não é uma escolha. Eu jamais escolheria ficar depressivo. Ninguém escolheria, se pudesse evitar. Não é um botão que eu possa ligar e desligar quando me convém. Se fosse, acredite, eu optaria sempre pelas fases maníacas.

Ainda bem que na fase depressiva não temos energia para pular no pescoço de quem fica dizendo coisas assim…

Os perigos das Escolas Cívico-Militares

Ah, nossos valorosos militares brasileiros! Sempre tão honrados, sempre tão conservadores, sempre tão ligados aos valores morais e patrióticos!

Quanta besteira! Os militares construíram entre os civis uma fama absolutamente injustificada. Essa fama imerecida começa pela “bravura” e termina com a “honestidade”.

Não há nenhuma bravura em ser militar no Brasil. Bravura para quê?! O país esteve em guerra pela última vez em 1945, ou seja, há 77 anos. Nenhum dos militares hoje na ativa era sequer nascido nessa época. De lá para cá eles só combateram contra o povo brasileiro mesmo! Na maior parte dos casos, contra civis desarmados, inclusive muitos amarrados e indefesos, nas cadeiras de tortura ou nos paus-de-arara!

E quanto à honestidade?

Bom, eu sou filho de militar. Meu pai que (se estiver vivo) está com 96 anos, era um ladrão contumaz. Roubava tudo aquilo em que conseguia colocar as mãos nas repartições da Marinha de Guerra onde servia, desde gêneros alimentícios até equipamentos de tecnologia, como uma valiosíssima bússola que ele trouxe para casa certa vez. E essa prática não era exclusivamente dele. Praticamente todos os colegas dele faziam o mesmo. Um dos melhores amigos dele usava os navios da Marinha de Guerra para traficar drogas. Foi pego uma vez fazendo isso e passou quatro anos em um presídio militar, mas recebendo salário e tudo o mais.

No começo dos anos 80 meu pai era suboficial e atuava como secretário do almirante que comandava o CIAGA (Centro de Instrução Almirante Graça Aranha), onde funcionam diversas unidades da Marinha de Guerra, como a EFOMM (Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante) e o CFORM (Centro de Formação de Oficiais da Reserva da Marinha). Uma das tarefas dele era receber as cartas-proposta das licitações que o CIAGA fazia para compra de suprimentos. Por ser uma unidade com um contingente muito grande, o CIAGA comprava sempre muita comida.

Várias vezes vi meu pai abrindo, com o vapor da chaleira, as cartas-proposta das empresas. Ele então descobria o menor valor e telefonava para um dos fornecedores avisando. O fornecedor enviava então a carta-proposta dele com um valor um centavo menor, ganhando a licitação. Meu pai, é claro, recebia uma comissão por isso tudo, que era devidamente dividida com o almirante, que comandava todo o esquema.

Estou falando sobre tudo isso porque li agora há pouco algumas notícias preocupantes, começando por essa aqui.

Uma menina de 14 anos…

Você deve lembrar de toda aquela “preocupação com as crianças” que os conservadores diziam ter em 2018, não é?

Diziam que nós das esquerdas queríamos perverter as crianças, promover a sexualização precoce, tornar os garotos gays com o “Kit Gay” e muito mais. E muitos militares, todos profundamente conservadores, apoiavam tais ideias estúpidas. Inclusive este aqui da foto.

Coronel PM Pedro Chavarry Duarte, ao lado de Flávio Bolsonaro

O Coronel PM Pedro Chavarry Duarte foi preso em flagrante enquanto estuprava uma menina de DOIS ANOS em seu carro, em uma via pública no Rio de Janeiro. Em lugar de tentar explicar seu ato monstruoso, ou algo parecido, ele ameaçou os PMs que o prenderam, dizendo que faria da vida deles um inferno se o levassem preso.

Um outro militar, que chegou a atacar Fernando Haddad por causa do suposto “kit gay”, foi preso recentemente a pedido do FBI, por conta de uma investigação que mostrava ser ele um dos cem maiores distribuidores de pornografia infantil do mundo!

Jorge Antônio Batalino Riguette

Como se pode ver, a tal “honra” dos nossos militares é muito questionável. E eu, que convivi no meio militar toda a minha infância e juventude, posso afirmar, sem medo de errar, que esses sujeitos não são exceções, são a regra. Como o Brasil viveu sempre refém dos militares, eles acreditam realmente que podem fazer tudo que quiserem.

Quem está da metade dos 50 para lá, como eu, provavelmente lembra do caso de Alexander von Baumgarten, o jornalista que publicou uma matéria mostrando provas de que os militares do SNI (Serviço Nacional de Informações, precursor da ABIN) usavam os recursos do exército para lavar dinheiro para grandes empresários brasileiros. Baumgarten, sua esposa e o barqueiro deles foram sequestrados na Praça XV, no Rio de Janeiro, e assassinados. A única testemunha que viu o sequestro conseguiu identificar um dos participantes, o comandante da ação, um coronel do exército. Essa testemunha também foi sequestrada e morta dias depois.

Foi através de recursos como esse, o sequestro e o assassinato, que os militares brasileiros mantiveram sua “honra” intacta. Eles nunca eram acusados de nada, porque as pessoas tinham medo de acusá-los. Eles nunca eram condenados por nada, porque documentos desapareciam e testemunhas eram assassinadas. Essas são as mesmas estratégias que os chefões da Máfia usam para ficar longe das grades!

Agora os militares com desvios de conduta sexual têm um novo local para atacar, as Escolas Cívico-Militares! Segundo informações que o obtive, o caso do sargento condenado por agarrar e beijar uma menina de 14 anos, está longe de ser o primeiro. E essas escolas estão surgindo em todos os lugares.

Dentro de alguns anos, décadas talvez, teremos uma explosão de denúncias dos abusos, físicos e sexuais, cometidos dentro dessas escolas. Como muitas das vítimas dos abusos cometidos por padres e freiras, que já denunciei aqui, muitas dessas crianças que estão e estarão sendo abusadas por militares só terão coragem de contar o que aconteceu muito tempo depois. Talvez quando souberem da morte do agressor.

Se os nossos “valorosos” militares precisam de sexo, tudo bem! Eu compreendo perfeitamente essa necessidade. Mas eles podiam muito bem deixar as crianças em paz e fazer como o general Pazuello, que recentemente sofreu um acidente de moto enquanto andava, pela madrugada, na praça do Rio de Janeiro onde costumam ficar as prostitutas transexuais.

Ou então poderiam visitar prostíbulos. Mas nesse caso, sugiro que levem dinheiro, para que não se repita o que aconteceu com esse sargento da Força Aérea Brasileira. Ele usou drogas em um prostíbulo, ficou doidão, deu tiros para o alto e recusou-se pagar uma conta de 800 reais!

Oitocentos reais em uma noite! Conta altíssima para um sargento, cujo salário base é de menos de seis mil reais. Isso é que é disposição! Mas não me admira nem um pouco. Os militares sempre foderam muito. Basta olhar o que fizeram com o Brasil entre 1964 e 1985. E o que estão fazendo novamente, apoiados pelo monstro genocida Jair Bolsonaro.

Quando falamos em drogas e sargentos da FAB, não posso deixar de lembrar daquele que está preso na Espanha, por ter levado 39 quilos de pasta de cocaína no avião presidencial.

Nossos “valorosos” militares diziam que “bandido bom é bandido morto”, lembra? Mas quando esse sargentinho-traficante foi condenado, a aeronáutica optou por continuar pagando o salário dele para a família, aqui no Brasil. É provável que esta tenha sido uma das exigências que ele fez para assumir a culpa e livrar a cara dos verdadeiros donos daquela droga.

Sim, porque um sargentinho qualquer, com salário de pouco mais de seis mil reais, não tem cacife para comprar milhões de reais em cocaína. Para isso é preciso de um posto maior. Capitão, talvez.

Portanto, você que matricula seus filhos e filhas em uma escola cívico-militar, saiba que eles estarão aprendendo com os melhores em sequestro, extorsão, assassinato e tráfico de drogas. E que se seguirem carreira como militares, poderão fazer tudo isso sem nenhuma punição! Isso, claro, se escaparem dos abusos sexuais e morais…

Mas anime-se! Pelo menos eles não terão acesso ao infame “kit gay”… até porque isso nunca existiu mesmo.

O dia em que o liberalismo econômico confessou seu fracasso perante o mundo

Corria o ano de 1984. Este que vos escreve era um adolescente que, aos 16 anos, havia acabado de ingressar na UFRJ e dividia seu tempo em quatro partes: o estudo, o trabalho, as garotas e as passeatas em prol das Diretas Já.

Aqui no Brasil, não aguentávamos mais os militares no poder. O misto de corrupção e incompetência deles estava arrebentando o país. Aqueles como eu, que estavam ingressando no Ensino Superior, sentiam-se desmotivados com a perspectiva do desemprego futuro, em uma economia arrasada pela estupidez dos generais. Por isso íamos em massa para as ruas, para pedir a aprovação da Emenda Dante de Oliveira, que garantiria que a eleição que se aproximava não fosse mais feita por um Colégio Eleitoral, mas pelo voto direto da população.

Perdemos, mas lutamos o bom combate. E enquanto aqui no Brasil reuníamos um milhão de pessoas na Cinelândia para pedir “Diretas Já”, no país que se julga dono do mundo, uma crise econômica se aproximava.

Lee Iacocca (15/10/1924 – 02/07/2019)

O homem da foto é Lee Iacocca. Considerado um gênio da administração, ele foi o principal executivo da Ford por décadas. Até que, no início dos anos 80, um conflito de egos levou-o a brigar com Henry Ford III, o proprietário da empresa, sendo então demitido sumariamente. Lee Iacocca foi imediatamente contratado pela terceira maior montadora dos Estados Unidos, a Chrysler, que naquele tempo perdia apenas para a Ford e a General Motors.

A verdade, porém, é que Iacocca achou um verdadeiro caos instaurado na Chrysler. A empresa tinha bom faturamento, mas estava às portas da falência. Durante dois anos Iacocca fez tudo que sabia para tentar estabilizar a situação da empresa, mas nada funcionou. Em 1984 a Chrysler estava à beira da falência.

Antes de continuarmos, é bom entender um pouco do pensamento de Lee Iacocca, que era um liberal em economia. Quem quiser conhecer mais pode ler a autobiografia dele “Lee Iacocca: uma autobiografia”, lançada justamente no final daquele agitado ano de 1984.

Como todo liberal, ele tinha sempre o mesmo discurso: impostos baixos para as empresas, nenhuma intervenção estatal na economia e, sobretudo, Estado mínimo. Para os liberais, o Estado é sempre o maior problema. Ou melhor… quase sempre.

Acontece que os liberais têm um segredo. Eles só não gostam do Estado quando estão lucrando. Aí eles reclamam de qualquer interferência estatal em suas empresas. Mas quando estão no prejuízo, aí os liberais sempre aparecem com o pires na mão pedindo dinheiro público para salvar suas empresas. O mesmo dinheiro público que é fruto dos impostos que eles querem acabar.

Diante da iminente falência da Chrysler, foi exatamente isso que Lee Iacocca fez. Conseguiu uma audiência com o então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, para pedir dinheiro.

É preciso que se diga que Ronald Reagan era um conservador nos costumes, mas defendia ferrenhamente uma economia liberal, ou seja, sem intervenção estatal. E como bom conservador, procurava sempre inverter as coisas, mudar os nomes para confundir as pessoas, como se vê nesse vídeo.

A empreitada de Lee Iacocca, portanto, parecia difícil. Para salvar a Chrysler da ruína ele tinha de convencer um presidente que falava o tempo todo em não-intervenção estatal na economia a colocar dinheiro público em uma empresa privada, coisa que até então nunca havia acontecido nos Estados Unidos. Pelo menos, não oficialmente como deveria ser dessa vez.

A operação, no entanto, deu certo! Lee Iacocca conseguiu convencer Ronald Reagan de que uma onda de desemprego se seguiria à falência da Chrysler e Reagan concordou em injetar dinheiro público, dinheiro suado pago em impostos pelo proletariado estadunidense, para salvar uma empresa privada e garantir o padrão de vida elevado de executivos e magnatas da indústria automobilística. E para salvar, é claro, a reeleição de Ronald Reagan, que estava terminando seu primeiro mandato.

Eu considero este o momento em que o Capitalismo liberal expôs sua incompetência para o mundo, mostrando também sua verdadeira face hipócrita.

Anúncio público da ajuda do Governo à Chrysler

Quando a foto acima foi tirada, com Ronald Reagan e Lee Iacocca juntos anunciando a ajuda governamental para salvar a pele da Chrysler, ficou claro para qualquer pessoa com um mínimo de inteligência que o Capitalismo liberal é apenas uma farsa ridícula.

Onde ficou a conversa de Estado mínimo de Lee Iacocca quando ele precisou de dinheiro do Estado? Se o Estado fosse mínimo mesmo, e não pudesse ajudar, teria ele aceitado a falência da Chrysler com um sorriso nos lábios?

Quando estes dois homens apertaram as mãos celebrando esse acordo, ficou claro qual é a verdadeira especialidade dos liberais em economia:

Privatizar os lucros e socializar os prejuízos,
este é o resumo do Capitalismo liberal.

Deste dia em diante ficou claro para quem quiser entender que o Capitalismo liberal é uma fraude hipócrita. Quando as empresas estão bem, elas rejeitam a intervenção do Estado porque sabem que essa intervenção significaria terem de arcar com suas responsabilidades sociais, reduzindo seus lucros ou empregando parte deles para melhorar o mundo ao redor.

Quando, porém, as empresas estão mal, elas sempre querem uma ajudinha do mesmo Estado que rejeitam. As mesmas empresas que dizem que o Estado enfia a mão no bolso delas, agora querem que o Estado enfie a mão no bolso coletivo do povo para dar dinheiro a elas.

Desde esse dia a economia dos Estados Unidos passou a intervir sempre que as empresas precisavam. Aberto o precedente de Reagan e Iacocca, o Estado passou a sustentar empresas quebrando.

Em 2008, quando a irresponsabilidade e as fraudes cometidas pelos bancos dos Estados Unidos em nome dos lucros elevados com a carteira de seguros imobiliários levaram o país e o mundo a uma crise econômica, o governo dos Estados Unidos injetou bilhões e bilhões de dólares na economia para impedir uma quebradeira geral. Salvou do problema os bancos que criaram o problema. Com o dinheiro dos impostos dos trabalhadores, claro.

Só não salvou os quatro milhões e meio de estadunidenses que perderam suas casas durante essa crise, muitos dos quais passaram a morar nas ruas com suas famílias. Os trabalhadores pagaram a conta da irresponsabilidade dos bancos, mas não receberam eles próprios nenhuma ajuda estatal.

Aqui no Brasil a mesma coisa acontece constantemente.

Os terminais aeroviários foram privatizados pelo governo golpista de Michel Temer logo que ele assumiu, em 2016. Mas no final daquele ano, quando as concessionárias descobriram que administrá-los não era tão simples e começaram a acumular prejuízos, foram nossos impostos que pagaram os prejuízos.

Se os aeroportos dessem lucro, essas empresas dariam alguma parte desse lucro para os trabalhadores? Nunca! Mas quando elas precisam de dinheiro, são os impostos pagos pelos trabalhadores que as salvam.

Todos os dias, quando digo na internet abertamente que sou comunista, as pessoas perguntam: Onde foi que o Comunismo deu certo?

A minha resposta é sempre a mesma: Sem ter os trabalhadores para explorar e sem os impostos dos trabalhadores para salvá-lo, onde foi que o Capitalismo deu certo?

Existe mesmo essa tal Lei do Retorno?

As pessoas adoram fantasias! Esta é uma constatação que pode ser feita muito facilmente. Basta observar, por exemplo, as escandalosas quantias que são pagas para atores e atrizes, para que vivam uma fantasia de menos de duas horas diante das câmeras e iludam multidões. Segundo um princípio básico da Teoria Marxista, se atores e atrizes faturam tão alto é porque geram receitas milhares de vezes maiores. E essas receitas, muitas vezes na casa de centenas de milhões de dólares, são obtidas com a venda de fantasias!

A religião é outro exemplo de como as pessoas adoram fantasias. Jesus de Nazaré, sobre quem já falei neste outro artigo aqui, morreu há quase dois mil anos. A esperança de que ele fosse o Messias que libertaria o povo da dominação romana e iniciaria uma era de paz e prosperidade morreu com ele, mas seus seguidores não aceitaram esse fato, criando então uma fantasia sobre uma segunda vinda em breve. Paulo de Tarso, um dos principais divulgadores do Cristianismo, chega a afirmar em seus escritos que aquela geração dele não passaria sem que Jesus voltasse. Jesus não voltou durante a vida de Paulo de Tarso. Dois mil anos depois ele ainda não voltou, mas pessoas continuam repetindo, dia após dia, que Jesus está voltando e chegará em breve. Nem mesmo dois mil anos de espera desmentindo esta conversa, foram capazes de vencer o poder dessa fantasia. Jesus não voltou até agora (e não voltará nunca, porque está morto e mortos só voltam em filmes de zumbis…), mas isso não impede que bilhões de pessoas vivam nessa esperança ilusória.

Outra ilusão muito popular entre as pessoas é a chamada “Lei do Retorno”. O objetivo deste artigo é dissecar essa fantasia.

Tudo começa com a problemática do mal. A tão discutida problemática do mal, que já consumiu milhões de páginas escritas por filósofos, teólogos e também meros escrevinhadores como eu! A velha pergunta: Se o universo foi criado por um deus amoroso, por que existe o mal no universo?

Cada pessoa, é claro, responde a este questionamento de acordo com suas convicções e vivências. De minha parte, por exemplo, a questão é facilmente respondível: O universo é como é simplesmente porque não foi criado por nenhum deus. Essa, porém, é a resposta de um materialista-dialético, mentalmente treinado apenas para lidar com fatos concretos. Uma pessoa que se prende a poucas ilusões. A maioria das pessoas simplesmente não é assim.

Agostinho de Hipona, que os católicos veneram como “Santo Agostinho”, faz toda uma série de malabarismos retóricos para tentar responder esta questão. Divide o mal em categorias, fala sobre “permissividade divina”… Enfim, cria sua própria sequência de fantasias em cima de fantasias, para tentar explicar a existência do mal em um universo criado por um deus amoroso. Tudo isso, claro, sem abrir mão da fantasia fundamental que é a existência de um deus todo-poderoso.

Nem todos possuem a profundidade cultural e filosófica de Agostinho, é claro. Então a maioria das pessoas respondem a essa questão com fantasias muito mais simples que aquelas que Agostinho elaborou.

Uma dessas fantasias é a chamada “Lei do Retorno”, segundo a qual há uma força cósmica (deus, o karma…) que faz com que a maldade executada por uma pessoa volte para ela de algum modo.

Como a maioria das fantasias, essa coisa da “Lei do Retorno” é facilmente desmontada quando observamos os fatos de maneira nua e crua. Infelizmente a maioria das pessoas não quer fazer isso. Talvez elas simplesmente não estejam preparadas para lidar com a realidade concreta.

Na Lógica Formal dizemos que para desmontar uma universal afirmativa falsa, basta mostrar um caso que não se encaixa nela. Em outras palavras, se eu afirmo que “todo esquilo é marrom” e alguém me mostra um único esquilo cinza, por exemplo, então pode-se dizer que a minha afirmação é falsa, porque ela dizia que todos tinham uma propriedade X e foi mostrado um item com a propriedade Y.

Dito isto, se a afirmação da “Lei do Retorno” é que o mal que fazemos sempre volta para nós, trata-se então de uma universal afirmativa. E para mostrar que não é válida basta mostrar um caso em que isso não aconteça. Antônio Delfim Netto é um caso assim, dentre tantos que temos na política brasileira.

Delfim Netto sempre foi um corrupto. Quando era ministro da ditadura militar foi, junto com Ernane Galvêas, um dos responsáveis pela falência do Grupo Coroa-Brastel, do empresário Assis Paim Cunha, de quem Delfim e Galvêas extorquiam dinheiro. A quebra do Grupo Coroal-Brastel causou uma onda de desemprego e instabilidade econômica pelo país. Delfim Netto foi também atuante na ditadura militar, tendo sido um dos signatários do AI-5, a legislação que deu poderes de tortura e morte ao governo militar. Ocupou vários ministérios na ditadura militar de 1964-1985: Fazenda, Planejamento, Economia e Agricultura. Como ministro da agricultura, foi tão ineficiente que as nossas exportações de grãos, principal fonte de receita da nossa balança comercial, praticamente ficaram paralisadas. Como tal, foi um dos grandes responsáveis pela explosão inflacionária durante o (des)governo João Figueiredo, que culminou com a hiperinflação no (des)governo José Sarney.

Delfim Netto tem atualmente 93 anos. Não se pode dizer, portanto, que a “Lei do Retorno” o tenha privado de uma longa vida. Delfim também nunca foi responsabilizado criminalmente por suas ações, embora muitas delas merecessem décadas de cadeia. Delfim é um homem rico e vive muito bem.

Onde está a “Lei do Retorno” nesse caso específico?

O sujeito passou a vida envolvido em sujeira e corrupção. Tem sangue nas mãos, por ser signatário do AI-5. Levou muitos pais e mães ao desemprego e ao desespero com suas ações. Em troca disso, tem uma vida longa, saudável e próspera!

“Ah, mas ele vai pagar no inferno, na outra vida!”

É assim que as coisas funcionam. Quando uma fantasia falha, logo as pessoas recorrem a outras para substituí-la, ou para complementar a eficácia da fantasia original.

Como não existe nenhuma prova efetiva da existência de um inferno, rejeito esta explicação e digo que Delfim Netto está chegando ao fim da vida em meio à riqueza, honrado pela sociedade, saudável (para um homem de 93, claro) e longevo.

“Ah, mas ele vai morrer!”

Sim, claro que vai. Assim como eu também vou. E você que está lendo. Isso não pode ser considerado como uma “punição kármica”, já que todos morremos, cedo ou tarde. Não importa se a pessoa é a mais cruel criminosa de todos os tempos ou uma pessoa “santa”, ela vai morrer.

Delfim Netto, é claro, é apenas um exemplo. Temos outros. Muitos outros, por sinal. Não há como sustentar essa fantasia da “Lei do Retorno” diante dos fatos. Mas a fantasia é, sem dúvida alguma, mais poderosa que os fatos!

Estando cega pela fantasia, uma pessoa tenderá sempre a ignorar todos os fatos que a desmintam. Uma pessoa apaixonada recusar-se-á a aceitar quando todos os amigos e amigas disserem que o alvo de sua paixão não presta. Um bolsonarista convicto viverá a fantasia de que o “mito” é honesto, mesmo que as provas contra ele e seus familiares acumulem-se dia após dia.

Não, este artigo não pretende acabar de vez com a fantasia da “Lei do Retorno”. Apenas pretende entender a origem dessa fantasia, que é a incapacidade de dar uma elaboração filosófica mais densa ao problema do mal, bem como entender o efeito dessa fantasia nas pessoas, em geral, e na sociedade como um todo.

Para tentar entender o quanto esse efeito é negativo, faz-se necessário entender primeiro por que essa “Lei do Retorno” tornou-se tão popular. E para entender isso é preciso entender quem ganha realmente com ela.

Delfim Netto, e outros como ele, ganham muito com a tal “Lei do Retorno”. Em outras palavras, as elites econômicas ganham muito com esta fantasia. Porque quando elas prejudicam o povo com seus gananciosos interesses, o povo se contenta em esperar esse “retorno kármico”, em lugar de ir atrás de punir de alguma forma seus algozes.

Sem a fantasia da “Lei do Retorno”, é bem possível que homens como Antônio Delfim Netto, Paulo Maluf e Fernando Collor de Mello já tivessem sido justiçados pelo povo, linchados nas ruas diante das coisas erradas e extremamente danosas que fizeram contra a população brasileira. Mas o povão está esperando que eles sejam punidos pela “Lei do Retorno”, ou “em outra vida”. E é isso que eles querem mesmo que o povo espere, porque assim garantem a impunidade na única vida que existe, essa aqui, que eles vivem com conforto em função do dinheiro roubado dos cofres públicos.

A “Lei do Retorno” é parte do que chamo de “ideologias metafísicas”, ou seja, das fantasias criadas pelas classes dominantes para que as massas acreditem que serão recompensadas pelo sofrimento atual em “um outro plano”, bem como que seus algozes serão punidos em “um outro plano”.

No começo do milênio (2007) a socialite Narcisa Tamborindeguy, Boninho (diretor da Globo) e Bruno Chateaubriand (apresentador, neto do magnata da imprensa Assis Chateaubriand) foram flagrados jogando ovos da cobertura da socialite, nas pessoas que passavam, enquanto gritavam “Vamos jogar ovo nos pobres!”. Era uma cruel diversão de elite, ainda mais cruel porque muitos dos atingidos não tinham dinheiro sequer para comprar ovos para comer.

Sem a “Lei do Retorno”, talvez uma multidão enfurecida invadisse o prédio em que ela morava e fizesse uma justiça sumária, atirando os três idiotas pela sacada, do mesmo modo como eles atiravam os ovos.

Com a “Lei do Retoron” a atitude foi passiva. Por que se queixar? Por que buscar justiça? Por que não aceitar essa ofensa gratuita, se os ricos seriam punidos “nesta ou em outra vida”, enquanto os pobres “receberiam sua coroa de ouro no céu”?

Esse tipo de conformismo é o principal motivo para que fantasias como essa sejam plantadas e estimuladas pela ideologia das classes dominantes.

Resta a você escolher se quer colher os frutos do seu trabalho duro e honesto hoje mesmo, ou esperar por uma suposta “outra vida”. Da mesma forma, você pode escolher entre ver a justiça sendo feita aqui e agora, ou esperar por uma suposta “Lei do Retorno”.

Refletindo sobre a morte…

Amanheci com gripe ontem. Até aí tudo bem, porque ondas de gripe acontecem de tempos em tempos em todos os lugares. Mas nestes tempos de pandemia, parece que ficamos muito sensíveis e muito preocupados, de forma que a gripe (que nem está sendo assim tão forte…) me fez pensar na possibilidade de morrer!

Sim, eu sei que isso parece tolice para muitos. Outro dirão que é inútil e desgastante pensar na morte. Mas eu sempre achei que meditar sobre a presença constante dela como uma possibilidade em nossas vidas é algo reconfortante e que pode nos conduzir a tomar decisões melhores em nossas vidas.

A verdade, porém, é que a morte nos espreita a cada instante. Quando estou sentado aqui, nas madrugadas, escrevendo esses artigos, nunca sei se acabarei o que estou escrevendo. Pode ser que eu morra em uma pausa para pensar no parágrafo seguinte.

Acha que isso é exagero de minha parte? Não, não é. Não importa se você é alto ou baixo, magro ou gordo, negro ou branco, atleta como eu já fui ou ocioso como sou hoje. Cada um de nós pode morrer dentro de um instante, porque o único requisito para morrer é estar vivo.

Ela era jovem, apenas 32 anos. Era atleta. Morreu de infarto do miocárdio. Quem pode esperar uma coisa assim?

Porém, se você quiser aprender um truque para fazer com que pensar na sua própria morte seja algo positivo, leia este artigo até o fim.

Lá por volta do começo dos anos 80 eu assisti um filme na “Sessão Coruja”. Sempre tive o hábito de dormir pouco. Estes artigos que escrevo aqui, escrevo-os entre 4 e 6 da manhã, normalmente. Nesta madrugada em questão, estava estudando e vendo televisão quando me deparei com um filme intitulado “Billy Jack”. Assisti e gostei muito.

Só algum tempo depois eu descobri que se tratava do segundo filme de uma “quadrilogia” criada e produzida pelo ator estadunidense Tom Laughlin e por sua esposa, Delores Taylor. Tom morreu em 2013, Delores em 2018. Mas uma das filhas do casal, Teresa Kelly, uns poucos anos mais velha que eu, é ainda minha amiga no Facebook. Trocamos reminiscências sobre os filmes, dos quais ela participou ativamente.

Para os interessados deixarei aqui os links para os filmes da série. Não esperem produções hollywoodianas. Esperem apenas filmes feitos com amor, preocupação social e muita sabedoria.

É sobre o terceiro filme da série (“O julgamento do Billy Jack”, em português) que quero falar com você hoje. E prometo que tentarei evitar spoilers, caso alguém tenha interesse em assistir aos filmes, coisa que recomendo.

Em “O julgamento de Billy Jack”, o personagem central está sendo julgado por ter cometido três assassinatos. Plenamente justificados, no meu entender, mas ele está sendo julgado mesmo assim. E em determinado momento perguntam a ele se tem consciência de que pode ser condenado à morte. A resposta de Billy Jack a esta pergunta afetou imensamente minha vida, desde quando assisti ao filme.

Billy explica ao juiz que não tem medo de morrer. Que tem plena consciência de que um dia morrerá e que a morte está sempre por perto de cada um de nós, o tempo todo. E, segundo ele, este fato pode ser libertador.

Imagine, por exemplo, que você esteja diante de um desses problemas avassaladores que ocasionalmente atingem nossas vidas. Aí você pensa “Diante da perspectiva de que posso estar morto dentro de cinco minutos, será que esse problema é realmente tão grande assim? Se eu morresse agora, isso tudo estaria encerrado.”

E então você entende que nenhum problema é tão grande assim!

Por outro lado, suponha que você tem de escolher entre passar uma manhã brincando com seu filho ou sua filha, ou fazendo amor com seu companheiro ou companheira, ou então passar essas horas lidando com algo desagradável. Aí você pensa “Eu posso estar morto em cinco minutos. Então como eu gostaria de gastar meus últimos minutos? Lutando na rat-race cotidiana ou passando algum tempo agradável com alguém que eu amo?”

É assim que a coisa funciona. Se você for capaz de pensar em sua própria morte como uma realidade potencial para os próximos cinco minutos, aprenderá com isso a tomar as decisões corretas em sua vida.

Aqui em Bombinhas, onde moro, as coisas funcionam um pouco diferente do resto do mundo. A cidade tem pouco mais de vinte mil habitantes e praticamente todo mundo se conhece. Então quando os sintomas da gripe começaram, em lugar de ir no consultório, fui à casa do nosso médico.

Depois de um exame rápido e meia dúzia de perguntas ele disse que havia pouca chance de ser COVID-19. Disse que provavelmente era só uma “gripezinha” e que com meu passado de atleta, eu não teria problema nenhum. Eu, é claro, estremeci diante dessa declaração. Da última vez que ouvimos isso no Brasil, 620 mil pessoas morreram.

O médico, no entanto, convenceu-me que era mesmo apenas gripe. Mandou-me comprar Benegrip e repousar.

Saí de lá diretamente para a farmácia. Pedi Benegrip ao balconista e ele me trouxe isso aqui.

Minha primeira reação quando vi os comprimidos na cartelinha foi de pavor. Ando meio traumatizado com coisas verde-e-amarelas nos últimos anos. Tenho certeza de que você, que está lendo, entende o que quero dizer. Minha segunda reação foi perguntar ao balconista se não tinham uma versão vermelha, com uma foice e um martelo no meio. Se não tivesse, podia ser uma estrelinha do PT. Não tinham, infelizmente, nenhuma das duas.

Então o balconista, vendo que eu estava tossindo, sugeriu que eu levasse também essas pastilhas aqui.

Achei o nome meio agourento. Parece muito com “estrepe-se”. Talvez o balconista não tenha gostado da minha pergunta sobre uma versão vermelha com estrelinha do PT. Mas resolvi levar mesmo assim.

Agora eu estou medicado e espero não morrer com essa gripe. Mas sei que se acontecer, eu terei ao menos o consolo de ter tido uma vida plena. Em meus 53, quase 54 anos agora, vivi intensamente. Casei tarde, mas hoje tenho uma família que eu amo e que me ama. Uma esposa e um filho que estão sempre do meu lado, nas horas boas e más. Amo e sou amado. O que mais uma pessoa pode querer dessa vida?

Sim, meditando sobre a minha morte, sei que estou preparado para ela. Quero que ela demore, para aproveitar mais a companhia das pessoas amadas, mas se isso não acontecer, eu vivi. E vivi muito bem.

E você? Já aprendeu a encarar a morte como sua amiga? Já aprendeu a falar dela com humor, como eu faço?

Se você aprendeu tudo isso, parabéns! Você está preparado ou preparada!

Sobretudo, está livre do medo. Não será mais escravo de vendedores da salvação e poderá viver sua espiritualidade, ou não, do jeito que quiser.

Jesus e o Evangelho da lavagem de dinheiro

Eu não sei como começar a falar sobre Jesus de Nazaré. Tenho sentimentos muito ambíguos em relação a essa personagem da história humana.

Por um lado, tenho dúvidas da sua existência. E minhas dúvidas são fundamentadas em muito mais do que mero “achismo”. Recentes estudos mostram que ele pode ter sido apenas uma invenção dos aristocratas romanos, com o objetivo de criar uma religião oficial que unificasse o povo.

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,ERT343900-17770,00.html

Ainda que tenha existido como pessoa real, não consigo acreditar na sua suposta divindade. Para mim está claro que seus objetivos falharam miseravelmente, coisa inaceitável para um deus todo-poderoso. Ou mesmo para o filho de um deus todo-poderoso.

Qual seria o verdadeiro rosto de Jesus, sendo ele nascido no Oriente Médio antes de qualquer miscigenação dos judeus com os povos da Europa?

Ele veio para reformar o Judaísmo, combatendo a hipocrisia de fariseus e saduceus. No entanto os fariseus e saduceus só ficaram mais poderosos depois dele. Inclusive o mataram. Morrer também não é algo muito aceitável para um deus todo-poderoso, ou mesmo para o filho de um deus todo-poderoso.

Ele veio para combater os “pecados” da humanidade. Mas a humanidade continua “pecando” e o Cristianismo gerou até mesmo novos pecados. Como a simonia, por exemplo.

Economizei uma ida ao Google para você…

Como já disse, meus sentimentos em relação a Jesus de Nazaré são ambíguos. Por um lado, gosto da filosofia de paz e amor que ele prega, embora ache que o mundo só será melhor no dia em que os cristãos adotarem essa filosofia de verdade. Até agora, dois mil anos depois de sua morte, tudo que vimos foram os piores exemplos, com guerras religiosas, fogueiras e tortura para os “infiéis”.

Por outro lado, acho muitos dos pensamentos dele bobos. Essa coisa de “amar os inimigos” é uma grande tolice do ponto de vista da sobrevivência. Amando meu inimigo, coloco minha vida nas mãos dele. E se o “amor pelos inimigos” não for recíproco, estarei totalmente ferrado!

Há, porém, algumas coisas que eu tenho certeza sobre Jesus de Nazaré.

A primeira delas é que ele tem pouco ou nada a ver com o que chamamos de “igreja de Cristo” nos dias de hoje. Os autointitulados sucessores de Jesus, ou autointitulados representantes dele na Terra, só servem para acumular riquezas terrenas e desprezar as espirituais.

Tive a oportunidade de acompanhar, nos meus quase 54 anos de vida, o surgimento de muitas igrejinhas de esquina. No início o “pastor” chega andando com sua família, ou de bicicleta. Terno surrado, daqueles que você sabe que foram comprados no brechó e até consegue imaginar o aroma forte da naftalina, mesmo estando longe. Meses depois, quando aparecem mais fieis, a caminhada ou a bicicleta são trocadas por um carrinho velho. Em um ano ou dois chega em um carro novo. E precisa mesmo, porque já não mora mais na comunidade pobre em que começou sua igreja, mas em uma bonita casa em outro bairro. Daí pra frente é só riqueza. Diferente dos membros da sua igreja, cada vez mais empobrecidos pelos dízimos e ofertas solicitados a cada culto, a cada reunião, a cada escola dominical.

Não me entendam mal. Eu não vejo nenhum problema nisso. Afinal de contas, não é o meu dinheiro que sustenta o enriquecimento desses pastores. De mim nunca viram ou verão um centavo sequer. E cada um tem a liberdade de dar ou não o que eles pedem. Se dão, em lugar de alimentarem melhor suas famílias, é problema deles.

O meu problema é o envolvimento das igrejas em atividades ilegais. E, pior ainda, quando essas atividades ilegais geram, além do enriquecimento desmensurado dos pastores, sérias consequências políticas para o país.

FONTE: https://csalignac.jusbrasil.com.br/noticias/357011526/templos-religiosos-sao-o-melhor-lugar-para-se-lavar-dinheiro-no-brasil

Nas últimas décadas temos visto igrejas virarem grandes empresas multinacionais. Vimos Estados nacionais proibindo certas igrejas porque exploravam tanto suas populações que os efeitos econômicos estavam se fazendo sentir nesses países como um todo.

Vimos também esse enriquecimento sendo usado para comprar apoio político no Congresso Nacional. Deputados e senadores financiados por igrejas, fazendo projetos para beneficiar as igrejas, que já possuem muitos benefícios. Como o perdão da dívida das igrejas, que foi vetado pelo presidente para fazer média com a população, sendo o veto derrubado a pedido do próprio presidente.

Vimos um presidente da república prometendo aos pastores que indicaria para o cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal, alguém “terrivelmente evangélico”. Em suma, alguém que não julgasse com base na Constituição Federal, mas com base na Bíblia.

Agora falam em colocar um pastor, o Silas Malafaia, como vice na possível chapa para a reeleição do presidente. Malafaia, um dos grandes expoentes do enriquecimento ilícito de pastores no Brasil, certamente usaria o cargo de forma descarada para privilegiar sua igreja e as igrejas evangélicas em geral.

Evangélicos, assim como católicos, espíritas, umbandistas ou membros de qualquer religião, são cidadãos como eu, possuindo os mesmos direitos. Eles, naturalmente, podem votar segundo suas consciências, elegendo quem eles quiserem. Nenhum problema até aí.

O problema passa a existir quando eles, em posição de poder, usam a máquina do Estado para obter benefícios para o seu próprio grupo religioso. O problema passa a existir quando eles usam o poder político para oprimir pessoas de outras religiões. Porque isso fere o princípio constitucional da LAICIDADE ESTATAL.

O Estado Laico foi um avanço imenso na história da humanidade. Assegurou a todos o mesmo direito de crença, impedindo as perseguições religiosas. Que as igrejas tenham poder apenas espiritual, nunca temporal, é um requisito para a liberdade religiosa.

Por isso não consigo entender quando uma pessoa religiosa atenta contra a laicidade estatal. Ao fazer isso essa pessoa parece não compreender que a sua própria liberdade está ameaçada.

Sim, porque o fato de uma religião estar no controle hoje, não significa que estará no controle para sempre! E se a outra, que a suceder, resolver proibir esta religião de existir? E se resolver perseguir os adeptos dessa religião atualmente predominante?

Quando os católicos eram maioria esmagadora no Brasil, com o Estado intimamente relacionado com a Igreja Católica, coisa que só veio a acabar com a Constituição do Estado Novo, os evangélicos eram seriamente prejudicados. O registro civil era feito pelas paróquias católicas e o padre da cidade sempre podia recusar-se a registrar uma criança filha dos “nova seita”. Era assim que, no começo do século XX, os protestantes eram chamados no Brasil. Ou o padre podia exigir que a criança recém-nascida fosse batizada no Catolicismo para efetuar o registro.

O mesmo se dava com casamentos. A avó de uma antiga namorada minha viveu por décadas com seu esposo em “concumbinato”, como se dizia na época. Porque ambos eram protestantes e na cidade deles, no interior do Pernambuco, não havia como registrar um casamento se não fosse na Igreja Católica.

Nesses tempos o discurso dos protestantes era favorável a laicidade estatal!

Como a hipocrisia, porém, é dominante no meio protestante, agora que eles cresceram em número e em influência política, o discurso deles mudou. Agora eles querem que a Bíblia substitua a Constituição Federal. Querem que seus “valores cristãos” sejam impostos por força de lei à sociedade como um todo.

Sou capaz de apostar que os protestantes voltariam ao seu discurso de laicidade estatal se um padre ou um pai-de-santo fosse eleito presidente da república. Teriam medo de que fizessem com eles o mesmo que eles agora querem fazer com as outras religiões.

Jesus de Nazaré, no entanto, supostamente disse para nunca fazer aos outros aquilo que não se quer feito contra si mesmo.

Onde está Jesus de Nazaré nas igrejas de hoje?

Longe, bem longe. E esta é uma constatação de alguém que se intitula “o ateu mais cristão de todos”, eu mesmo.

Não consigo ver o Jesus que, ao ser perguntado sobre o pagamento de impostos respondeu “Dai a César o que é de César”, fazendo lobby no Congresso Nacional para garantir o perdão de dívidas com o INSS e dívidas trabalhistas.

Não consigo ver o Jesus que falou tanto em amor ao próximo apoiando o uso da igreja para lavar dinheiro sujo de políticos corruptos, traficantes de drogas e milicianos.

Acima de tudo, não consigo ver Jesus de Nazaré em um palanque com Jair Bolsonaro, gritando coisas como:

  • “Vamos fuzilar a petralhada”
  • “E daí que morreram? Eu não sou coveiro!”
  • “Quando é que vamos deixar de mimimi?”
  • Ou rindo enquanto imita o som de pessoas sufocando com COVID-19

E vou te dizer uma coisa. Se você se autointitula cristão e consegue ver Jesus apoiando Bolsonaro, você está sofrendo de uma total desconexão mental entre as doutrinas do seu Cristo e as doutrinas desumanas e cruéis do bolsonarismo.

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche disse que “o último cristão morreu na cruz”. Os crentes dizem que ele está vivo no céu, sentado à direita de seu pai.

Sinceramente, eu espero que os crentes estejam errados e Nietzsche esteja certo. Porque se estiver vivo mesmo, seja lá onde for, Jesus de Nazaré deve estar morrendo de vergonha de tudo que está sendo feito aqui na Terra em seu nome.