Ah, nossos valorosos militares brasileiros! Sempre tão honrados, sempre tão conservadores, sempre tão ligados aos valores morais e patrióticos!

Quanta besteira! Os militares construíram entre os civis uma fama absolutamente injustificada. Essa fama imerecida começa pela “bravura” e termina com a “honestidade”.

Não há nenhuma bravura em ser militar no Brasil. Bravura para quê?! O país esteve em guerra pela última vez em 1945, ou seja, há 77 anos. Nenhum dos militares hoje na ativa era sequer nascido nessa época. De lá para cá eles só combateram contra o povo brasileiro mesmo! Na maior parte dos casos, contra civis desarmados, inclusive muitos amarrados e indefesos, nas cadeiras de tortura ou nos paus-de-arara!

E quanto à honestidade?

Bom, eu sou filho de militar. Meu pai que (se estiver vivo) está com 96 anos, era um ladrão contumaz. Roubava tudo aquilo em que conseguia colocar as mãos nas repartições da Marinha de Guerra onde servia, desde gêneros alimentícios até equipamentos de tecnologia, como uma valiosíssima bússola que ele trouxe para casa certa vez. E essa prática não era exclusivamente dele. Praticamente todos os colegas dele faziam o mesmo. Um dos melhores amigos dele usava os navios da Marinha de Guerra para traficar drogas. Foi pego uma vez fazendo isso e passou quatro anos em um presídio militar, mas recebendo salário e tudo o mais.

No começo dos anos 80 meu pai era suboficial e atuava como secretário do almirante que comandava o CIAGA (Centro de Instrução Almirante Graça Aranha), onde funcionam diversas unidades da Marinha de Guerra, como a EFOMM (Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante) e o CFORM (Centro de Formação de Oficiais da Reserva da Marinha). Uma das tarefas dele era receber as cartas-proposta das licitações que o CIAGA fazia para compra de suprimentos. Por ser uma unidade com um contingente muito grande, o CIAGA comprava sempre muita comida.

Várias vezes vi meu pai abrindo, com o vapor da chaleira, as cartas-proposta das empresas. Ele então descobria o menor valor e telefonava para um dos fornecedores avisando. O fornecedor enviava então a carta-proposta dele com um valor um centavo menor, ganhando a licitação. Meu pai, é claro, recebia uma comissão por isso tudo, que era devidamente dividida com o almirante, que comandava todo o esquema.

Estou falando sobre tudo isso porque li agora há pouco algumas notícias preocupantes, começando por essa aqui.

Uma menina de 14 anos…

Você deve lembrar de toda aquela “preocupação com as crianças” que os conservadores diziam ter em 2018, não é?

Diziam que nós das esquerdas queríamos perverter as crianças, promover a sexualização precoce, tornar os garotos gays com o “Kit Gay” e muito mais. E muitos militares, todos profundamente conservadores, apoiavam tais ideias estúpidas. Inclusive este aqui da foto.

Coronel PM Pedro Chavarry Duarte, ao lado de Flávio Bolsonaro

O Coronel PM Pedro Chavarry Duarte foi preso em flagrante enquanto estuprava uma menina de DOIS ANOS em seu carro, em uma via pública no Rio de Janeiro. Em lugar de tentar explicar seu ato monstruoso, ou algo parecido, ele ameaçou os PMs que o prenderam, dizendo que faria da vida deles um inferno se o levassem preso.

Um outro militar, que chegou a atacar Fernando Haddad por causa do suposto “kit gay”, foi preso recentemente a pedido do FBI, por conta de uma investigação que mostrava ser ele um dos cem maiores distribuidores de pornografia infantil do mundo!

Jorge Antônio Batalino Riguette

Como se pode ver, a tal “honra” dos nossos militares é muito questionável. E eu, que convivi no meio militar toda a minha infância e juventude, posso afirmar, sem medo de errar, que esses sujeitos não são exceções, são a regra. Como o Brasil viveu sempre refém dos militares, eles acreditam realmente que podem fazer tudo que quiserem.

Quem está da metade dos 50 para lá, como eu, provavelmente lembra do caso de Alexander von Baumgarten, o jornalista que publicou uma matéria mostrando provas de que os militares do SNI (Serviço Nacional de Informações, precursor da ABIN) usavam os recursos do exército para lavar dinheiro para grandes empresários brasileiros. Baumgarten, sua esposa e o barqueiro deles foram sequestrados na Praça XV, no Rio de Janeiro, e assassinados. A única testemunha que viu o sequestro conseguiu identificar um dos participantes, o comandante da ação, um coronel do exército. Essa testemunha também foi sequestrada e morta dias depois.

Foi através de recursos como esse, o sequestro e o assassinato, que os militares brasileiros mantiveram sua “honra” intacta. Eles nunca eram acusados de nada, porque as pessoas tinham medo de acusá-los. Eles nunca eram condenados por nada, porque documentos desapareciam e testemunhas eram assassinadas. Essas são as mesmas estratégias que os chefões da Máfia usam para ficar longe das grades!

Agora os militares com desvios de conduta sexual têm um novo local para atacar, as Escolas Cívico-Militares! Segundo informações que o obtive, o caso do sargento condenado por agarrar e beijar uma menina de 14 anos, está longe de ser o primeiro. E essas escolas estão surgindo em todos os lugares.

Dentro de alguns anos, décadas talvez, teremos uma explosão de denúncias dos abusos, físicos e sexuais, cometidos dentro dessas escolas. Como muitas das vítimas dos abusos cometidos por padres e freiras, que já denunciei aqui, muitas dessas crianças que estão e estarão sendo abusadas por militares só terão coragem de contar o que aconteceu muito tempo depois. Talvez quando souberem da morte do agressor.

Se os nossos “valorosos” militares precisam de sexo, tudo bem! Eu compreendo perfeitamente essa necessidade. Mas eles podiam muito bem deixar as crianças em paz e fazer como o general Pazuello, que recentemente sofreu um acidente de moto enquanto andava, pela madrugada, na praça do Rio de Janeiro onde costumam ficar as prostitutas transexuais.

Ou então poderiam visitar prostíbulos. Mas nesse caso, sugiro que levem dinheiro, para que não se repita o que aconteceu com esse sargento da Força Aérea Brasileira. Ele usou drogas em um prostíbulo, ficou doidão, deu tiros para o alto e recusou-se pagar uma conta de 800 reais!

Oitocentos reais em uma noite! Conta altíssima para um sargento, cujo salário base é de menos de seis mil reais. Isso é que é disposição! Mas não me admira nem um pouco. Os militares sempre foderam muito. Basta olhar o que fizeram com o Brasil entre 1964 e 1985. E o que estão fazendo novamente, apoiados pelo monstro genocida Jair Bolsonaro.

Quando falamos em drogas e sargentos da FAB, não posso deixar de lembrar daquele que está preso na Espanha, por ter levado 39 quilos de pasta de cocaína no avião presidencial.

Nossos “valorosos” militares diziam que “bandido bom é bandido morto”, lembra? Mas quando esse sargentinho-traficante foi condenado, a aeronáutica optou por continuar pagando o salário dele para a família, aqui no Brasil. É provável que esta tenha sido uma das exigências que ele fez para assumir a culpa e livrar a cara dos verdadeiros donos daquela droga.

Sim, porque um sargentinho qualquer, com salário de pouco mais de seis mil reais, não tem cacife para comprar milhões de reais em cocaína. Para isso é preciso de um posto maior. Capitão, talvez.

Portanto, você que matricula seus filhos e filhas em uma escola cívico-militar, saiba que eles estarão aprendendo com os melhores em sequestro, extorsão, assassinato e tráfico de drogas. E que se seguirem carreira como militares, poderão fazer tudo isso sem nenhuma punição! Isso, claro, se escaparem dos abusos sexuais e morais…

Mas anime-se! Pelo menos eles não terão acesso ao infame “kit gay”… até porque isso nunca existiu mesmo.

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