A Globo News, em mais uma tentativa de expor seu mau caráter para as pessoas que possuem conhecimento e memória, afirmou em sua cobertura da invasão russa na Ucrânia que esta é a primeira invasão de um país por outro desde a II Guerra Mundial. Uma afirmação aparentemente inocente, se não fosse uma mentira deslavada!

Tiago Brasil fez uma postagem criticando essa afirmação, mas foi demasiado gentil ao citar as invasões dos Estados Unidos apenas do ano 2000 para cá.

Acho que ele tentou apenas manter a postagem curta, porque se recuarmos uns vinte anos mais no tempo, o número de invasões dos Estados Unidos contra outros países aumenta muito. Vejamos:

Se somarmos isso com o Iraque, o Afeganistão e a Síria, mencionados pelo Thiago Brasil, temos então OITO INVASÕES DOS ESTADOS UNIDOS contra nações soberanas. E isso apenas nos últimos 40 anos. Se recuarmos até os anos de 1940, o número dobra!

Isso significa que os Estados Unidos invadem uma nação soberana em média a cada cinco anos. O problema é que a mídia, a mesma mídia da qual a Globo News faz parte, nunca chama essas invasões de invasões. Sempre diz que foram “atos heroicos para defender a democracia”.

Invasões. Este é o nome correto, se considerarmos o princípio da ONU de autodeterminação dos povos. Aqueles povos tinham o governo que tinham porque assim o queriam. E se não queriam, deveriam ter lutado eles mesmos para depor tais governos, sem necessidade da tutela dos Estados Unidos, que se julgam os “xerifes do mundo livre”.

Aliás, quando a Guerra Fria estava acontecendo e a mídia chamava o bloco soviético de “Cortina de Ferro” e o bloco ocidental de “Mundo Livre”, eu sempre ficava curioso em saber como o mundo ocidental poderia ser realmente livre se os Estados Unidos podiam invadir o país que quisessem, derrubar o governo e implantar lá um governo que lhes fosse favorável. Que raios de liberdade é essa?

Sim, porque além das invasões militares explícitas, os Estados Unidos patrocinaram muitos golpes de Estado. Para sermos breves, falemos apenas de quatro deles:

  • Golpe de Estado na Guatemala (1954), uma operação denominada PBSUCESS, organizada pela CIA para depor o presidente democraticamente eleito Jacobo Arbenz Guzmán, considerado antiamericano pelos serviços de espionagem dos Estados Unidos.
  • Golpe de Estado no Chile (1973), articulado por militares sob o comando de Augusto Pinochet, que recebiam apoio militar e financeiro da CIA, para depor o presidente democraticamente eleito Salvador Allende.
  • Golpe de Estado no Brasil (1964), realizado por generais descontentes com o governo democraticamente eleito de João Goulart, o golpe foi articulado politicamente pela CIA e os Estados Unidos chegaram a enviar a sua frota naval do Atlântico Sul, a IV Frota, para o litoral brasileiro, caso os golpistas precisassem de apoio militar direto. Quem quiser saber mais sobre isso, há um documentário muito bom no Youtube, intitulado “O Dia que Durou 21 Anos”.
  • Golpe de Estado no Brasil (2016), realizado por militares e políticos pró-Estados Unidos que queriam derrubar o governo verdadeiramente nacionalista de Dilma Roussef, que havia determinado que as riquezas do Pré-Sal seriam usadas para revolucionar a saúde e a educação, para colocar em seu poder um governo que entregasse essas (e outras) riquezas nacionais para os Estados Unidos. De lá para cá, diversas pessoas confessaram que o que aconteceu não foi um mero impeachment, mas sim um golpe de Estado disfarçado. Entre elas o vice-presidente golpista de Dilma, Michel Temer, e o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal.

Como podemos ver, a Rússia não é o primeiro país a invadir outro depois da II Guerra Mundial, como disse a Globo News. Os Estados Unidos vêm fazendo isso sistematicamente desde o final da II Guerra Mundial, como fez na Coreia, no Vietnã, no Cambodja, além daqueles citados acima.

Não, eu não estou defendendo a Rússia nessa questão da invasão da Ucrânia! De forma alguma eu faria isso. Não gosto de Putin, especialmente agora que ele parece ser aliado de Jair Bolsonaro. Qualquer aliado de Jair Bolsonaro é meu inimigo mortal.

O que quero é que as pessoas percebam que a mídia distorce as coisas, para condenar a Rússia ou qualquer outro país, mas sempre defendendo os Estados Unidos, sempre achando um “nome bonitinho” para as descaradas invasões praticadas por esse país.

Ah, eu sei que muitos dirão que algumas invasões dos Estados Unidos foram motivadas pela necessidade de tirar tiranos do poder. Sim, pode parecer verdade mesmo, mas… Quem disse para você que eles eram tiranos foi a mesma mídia que agora diz que a Rússia é o primeiro país a invadir outro depois da II Guerra Mundial, lembra?

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3 comentários

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  1. Eu tinha uma leve noção de que a mídia distorcia e escondia certos assuntos da população, só não sabia que eram tão absurdas assim! Confesso que isso me assustou, o que mais será que é Fake News e não sabemos?