Italo Lorenzon é sócio de Allan dos Santos no canal “Terça Livre”. É um dos caras que aparecem em um dos programas bebendo aquele copo de leite que representa a “pureza racial” defendida pelos supremacistas brancos. É um bolsonarista convicto.

Sendo tudo isso, Italo Lorenzon é um misto de fascismo, racismo, mau jornalismo, fake news e distorção histórica.

Foi por saber de tudo isso que eu não fiquei nem um pouco surpreso quando li, esta madrugada, um tweet dele nos seguintes termos.

O tweet foi gerado pelas brincadeiras feitas na internet com a homenagem de Bolsonaro aos soldados russos que pereceram na II Guerra Mundial. Mesmo tendo sido apenas um item de protocolo, foi engraçado ver o anticomunista prestando homenagem aos soldados comunistas da União Soviética.

Italo Lorenzon não gostou de chamarmos os soldados comunistas de soldados comunistas. Porque como qualquer fascista, uma das coisas que Italo Lorenzon adora fazer é reescrever a história. Ele detesta a verdade dos fatos, porque a verdade dos fatos sempre mostra a insignificância de pessoas como ele.

Para Italo Lorenzon, ver Bolsonaro homenageando soldados comunistas, foi demais. Como justificar algo assim para o seu público idiotizado, que ainda está esperando a tal “Operação Storm”, quando Trump e Bolsonaro juntos irão acabar com todos os comunistas, esquerdistas, satanistas e pedófilos do mundo? Trump até já se infiltrou no meio dos pedófilos, fazendo frequentes visitas à ilha das ninfetas do falecido milionário Jeffrey Epstein! Só para reconhecimento de terreno, pessoal! Guerra é guerra! Selva!!!

(Desculpem! Isso tudo é tão ridículo que não dá para deixar de fazer uma piada em alguns momentos.)

Vendo que seria difícil explicar a homenagem de Bolsonaro aos soldados comunistas para um público que ainda nem mesmo percebeu que Trump não manda mais no exército estadunidense, Italo Lorenzon resolveu fazer o que os fascistas sempre fazem quando os fatos históricos não cooperam com seus interesses: reescrever a história!

Segundo ele os soldados da União Soviética mortos durante a II Guerra Mundial não eram soldados comunistas! Como não dá para explicar Bolsonaro homenageando soldados comunistas, Italo Lorenzon transforma os soldados comunistas em outra coisa qualquer.

Como a estupidez e a ignorância incomodam-me profundamente, resolvi ajudar Italo Lorenzon, explicando a ele alguns fatos históricos. Que ele já conhece, por sinal. Tenho certeza de que Italo Lorenzon leu muito sobre a ação da União Soviética contra seus queridos soldados nazistas na II Guerra Mundial.

Vamos aos fatos?

Depois da Revolução Russa de 1917, Leon Trotsky organizou o Exército Vermelho para lutar contra o Exército Branco, que defendia o retorno do kzar Nicolau II ao poder (ou ao menos da monarquia, depois que Nicolau II e sua família foram justiçados pelos revolucionários). Foi uma luta confusa, cheia de facções combatentes. Além dos exércitos comunista e kzarista, havia também o Exército Verde, formado pelos ruralistas, que não queriam o Comunismo e nem a volta do kzar. Sem falar nos batalhões independentes de cossacos e outros elementos. No entanto, ao final do conflito, o Exército Vermelho organizado por Leon Trotsky venceu, passando a ser o exército oficial da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Em suma, era o exército dos comunistas. Um exército composto por soldados comunistas.

Sim, Italo Lorenzon pode espernear como um garoto mimado, mas não mudará o fato de que o exército soviético era composto por soldados comunistas. E não era apenas por serem cidadãos da URSS, mas por serem organizados como comunistas!

Os soldados russos eram organizados em soviets (conselhos de trabalhadores), exatamente como qualquer agremiação profissional comunista.

Os soldados russos tinham, em cada pelotão, ao menos um oficial político, ou seja, um militar que conhecia bastante bem os princípios do Comunismo e era encarregado difundir esses princípios entre as tropas e também garantir que tais princípios fossem estritamente seguidos.

Em suma, os soldados da União Soviética eram organizados como comunistas, liderados por comunistas e comportavam-se segundo princípios comunistas. O que eles eram? Eram soldados comunistas!!!

Não importa o quanto pessoas como Italo Lorenzon façam para reescrever a história, os fatos estarão sempre lá para desmentir suas teses idiotas. E pessoas como eu, que conhecem os fatos, estarão sempre dispostas a gritar, em alto e bom som, que eles são mentirosos.

Eu acho natural que Italo Lorenzon tente descaracterizar os soldados comunistas. Afinal de contas, se ele estivesse vivo na II Guerra Mundial, a torcida dele estaria do outro lado, estaria com os alemães, com os nazistas. Na época ele não tomaria um copo de leite para mostrar sua suposta “superioridade branca”, mas um bom schnapps, cantando o hino nazista “Horst Wessel”.

Bolsonaro e seus asseclas (e não “acepipes”, como diria o Weintraub) não são contra o Comunismo por questões ideológicas. Eles são contra o Comunismo porque não conseguiram ainda engolir a derrota dos nazistas para os comunistas. Não conseguiram engolir a tomada de Berlin pelas tropas soviéticas.

Nazistas serão derrotados sempre, onde quer que apareçam. Porque suas ideias são do tipo que vale a pena combater, e combater bem.

A falsa equiparação entre Nazismo e Comunismo, que sempre é usada pelos bolsominions para tentar justificar o nazismo ou diminuir seus males, me parece sempre coisa de crianças mimadas. “Tá, eu errei, mãe! Mas o Joãozinho errou mais que eu!”

Não há, e nunca haverá, como comparar uma proposta de igualdade, de sociedade sem classes e sem opressão, que é o Comunismo, com uma teoria maluca sobre “superioridade racial” e sobre o direito de um povo escravizar e matar os povos inferiores, que é o Nazismo.

Destaquei em amarelo, no final do tweet do Italo Lorenzon, a defesa que ele faz do bullying. Ele procede assim porque quem não tem razão sempre precisa apelar para a força. Só há duas maneiras de fazer alguém aceitar que os soldados comunistas não eram soldados comunistas: A primeira é lavar a mente das pessoas com o olavismo-bolsonarismo e torná-las idiotas; a segunda é usar a força, como qualquer fascista sempre tenta fazer.

Eu, no entanto, aprendi muito cedo que os caras que apelam para o bullying são todos frouxos, covardes. Eles estão sempre em bandos, como as hordas de arruaceiros das SA de Hitler. Quando você pega um deles sozinho, ele chora e pede desculpas.

Que tal, Italo Lorenzon, tirar suas banhas e sua barbinha enfeitada da cadeira e vir aqui tentar enfiar minha cabeça na privada? Vamos! Anime-se! Sou um senhor de meia idade, com 54 anos. Você tem alguma chance!

É mentira. Ele não tem chance nenhuma. Esse ex-fuzileiro naval aqui teria um imenso prazer em chutar o traseiro do fascista Italo Lorenzon. E é por isso que continuo dizendo: Os soldados soviéticos eram soldados comunistas!

Para você, Italo Lorenzon!

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2 comentários

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  1. Um problema na comparação entre comunismo e nazismo é que o nazismo é um tipo de fascismo, assim como há diversos tipos de comunismo. Seria mais adequado comparar o nazismo com o stalinismo (que é na verdade uma distorção do comunismo) e o fascismo com o comunismo. Nesse quesito, temos não apenas a Alemanha Nazista como fascista (~30 milhões de mortes, 6 foram apenas judeus), mas também o Império Japonês no Período Showa (~30 milhões de mortes), a Itália fascista e Espanha franquista (somando algumas centenas de milhares de mortes), entre outros. Isso daria um número similar ao que o comunismo matou, já que os 100 milhões do Livro Negro do Comunismo provaram-se falsos (foram ditos na verdade 94 milhões, contaram absurdos como nazistas mortos, excluíram o impacto de sanções e outras intervenções capitalistas, alguns dos próprios autores alegaram números inflados e estudos recentes mostram que muito menos pessoas podem ter morrido de fome do que se acreditava). Lembrando que o número é similar apesar do fascismo ter durado muito menos tempo, e o fascismo ia matar muito mais pessoas se a Alemanha tivesse vencido (100 milhões apenas na União Soviética, por exemplo, não dá nem pra contar quantos morreriam na África), assim como o Império Japonês, Itália, etc.

    E ainda há a questão ideológica, que você comentou.