Para João Domenech e família

O amigo João Domenech está fazendo muita falta no LinkedIn. Foi banido injustamente, depois de ser atacado por inúmeros defensores do desgoverno Bolsonaro. Sua esposa, Anice, e sua mãe, Marina, estão combatendo arduamente no LinkedIn pelo retorno dele, bem como contra esse desgoverno que está destruindo o Brasil. Ambas já sofreram inúmeras restrições por parte da rede social.

Este vídeo é para questionar se a estratégia deste GUERRA JUSTÍSSIMA não deve ser revisada já.

Vidas brasileiras aparentemente não importam

A invasão da Ucrânia começou dia 24 de fevereiro. De lá para cá 25 dias se passaram. Segundo a ONU, 902 civis foram assassinados. Há uma comoção mundial sobre isso e eu, é claro, fico realmente triste por cada uma dessas pessoas, cujas vidas acabaram ceifadas em um imenso jogo de geopolítica que a maioria deles nem mesmo consegue entender.

Aqui no Brasil as pessoas não falam em outra coisa. Nas redes sociais os perfis com bandeiras da Ucrânia abundam. Postagens sobre a crueldade de Putin, sobre a insanidade de Putin, sobre a maldade dos russos… tudo isso e muito mais, abundam igualmente. Tem até brasileiros sendo voluntários para enfrentar as tropas russas e defender a Ucrânia!

A minha pergunta é: Por que essas pessoas não se interessam pela nossa própria guerra?

Sim, porque temos uma guerra bem mais séria acontecendo aqui mesmo, em nosso país. Mas parece que a taxa de mortalidade de civis daqui, muito maior que a da invasão da Ucrânia, não comove ninguém em nosso país.

Essa é a realidade do Brasil. Mesmo com uma queda de 7% em relação a 2020 e sendo o menor número de toda a série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, desde 2007, a verdade é que ainda tivemos 41.100 homicídios no Brasil em 2021.

Basta um pouco de matemática para entender que a nossa guerra é bem mais grave que a invasão da Ucrânia.

Dividindo as 41.100 pessoas mortas em 2021 pelo número de dias do ano, temos:

São mais de 112 pessoas por dia! Isso mesmo. Mais de 112 civis mortos a cada dia!

Agora podemos multiplicar esse valor por 25, ou seja, pelo número de dias que já dura a invasão russa na Ucrânia.

É isso mesmo, meu caro cidadão brasileiro escandalizado com as mortes de civis na Ucrânia. Enquanto lá foram mortas 902 pessoas, aqui no Brail morreram mais de 2800 pessoas!

Não, eu não estou sendo frio e insensível. Pelo contrário, eu estou profundamente comovido com todas essas mortes, sejam as 902 da Ucrânia ou as 2.800 do Brasil.

O que me surpreende é que você não esteja nem um pouco preocupado ou preocupada com as 2.800 mortes do Brasil, mas tenha virado especialista na invasão da Ucrânia; tenha mudado seu perfil para colocar nele a bandeira da Ucrânia; tenha transformado o presidente ucraniano, Zelensky, em seu mais novo herói.

Quer saber por que você não está nem aí para a nossa guerra brasileira, mas se preocupa profundamente com a invasão da Ucrânia?

A resposta pode ser expressa em uma única palavra: MÍDIA!

Você está sabendo da guerra da Ucrânia porque é bombardeado com ela dia após dia. A mídia esfrega na sua cara o sofrimento das crianças, mesmo que para isso precise mentir, como no caso da menina que apareceu em um vídeo viral discutindo com um soldado.

A mídia te apresentou esse vídeo como o de uma valente menina ucraniana, enfrentando corajosamente um cruel soldado russo. E você ficou tão emocionado com a coragem da menina que nem prestou atenção ao fato dela estar de camiseta em pleno inverno na Ucrânia. Nem ao fato do ambiente do vídeo ser um tanto árido. E principalmente, não viu nada de estranho no uniforme do soldado não ser russo, mas sim israelense!

A menina é palestina, o soldado é israelense e o vídeo é de 2012!

Mas isso não importa, porque a mídia sabe que você não é especialista em guerras, apenas pensa que é. Portanto, não vai reconhecer o uniforme do soldado. A mídia também sabe que a probabilidade de você, sendo brasileiro ou brasileira, conhecer outro idioma, é muito pequena. Infinitesimal mesmo. Por isso você não vai saber que a menininha não está falando ucraniano nem russo.

Tudo que a mídia quer é a sua reação emocional, não racional. Porque é com essa reação que a mídia conduzirá você pelo cabresto, como um animal irracional.

Há muito mais nessa invasão ucraniana do que você entende ou tem condições de entender. A mídia te joga muitas informações, muitas delas distorcidas, para que você pense que sabe do que está acontecendo. Não sabe. Provavelmente nunca saberá. Mas com a sua ignorância informada, continuará alimentando a máquina da propaganda em prol da Ucrânia. E indiretamente estará apoiando a OTAN e o país que a controla, ou seja, apoiando os Estados Unidos.

Esse é o objetivo final de toda a coisa. Porque os Estados Unidos controlam a OTAN e também controlam a mídia.

No final das contas, isso é tudo que você realmente precisa saber sobre essa invasão da Ucrânia.

O caso Henry Borel, onde o único inocente morreu

Oito de março de 2021. Um menino de quatro anos de idade acaba de ser espancado mais uma vez pelo namorado de sua mãe, um vereador do Rio de Janeiro, cristão e conservador, que atende pelo nome de “Dr. Jairinho”. Em seus “santinhos” de campanha, “Dr. Jairinho” apresenta-se assim:

Defensor da família. Certamente não da família de Henry Borel, porque naquela noite de oito de março de 2021 ele destruiu essa família.

Sim, porque naquela noite “Dr. Jairinho” foi longe demais em seu espancamento. O laudo de 36 páginas assinado por oito peritos forenses fala em 23 lesões encontradas no corpo do menino durante a autópsia: escoriações, hematomas, hemorragias em três partes da cabeça, infiltrações, contusões nos rins e nos pulmões, laceração no fígado.

Henry Borel morreu. E quando ele morreu, morreu a única pessoa realmente inocente nessa história toda. Sim, porque o assassino espancador “Dr. Jairinho” não é o único culpado dessa tragédia.

Com a perícia dos celulares do assassino e da mãe da vítima, ficou evidente que a babá Thayna, que supostamente cuidava da criança, já havia informado Monique Medeiros das surras que o assassino dava no menino.

Como aceitar o fato de que uma mãe permita que seu filho seja espancado até a morte sem tomar nenhuma iniciativa contra o agressor? Por que ela não agiu? Por que não denunciou? Porque não procurou o pai de Henry para tomarem juntos uma iniciativa contra o agressor? Por que ela não protegeu seu filho com a própria vida, como é dever de qualquer mãe e de qualquer pai?

Não, não dá para isentar de culpa uma mãe que age assim. E, principalmente, depois de assassinado seu filho, participa de um grande esquema de encobrimento para salvar o namorado assassino! No meu critério, Monique Medeiros é até mais culpada do que “Dr. Jairinho”, o cristão conservador espancador. Ele, além de monstro, não tinha nenhum laço afetivo com a criança. Ela tinha, assim como tinha o dever de protegê-lo.

Na verdade, também não dá para isentar de culpa o pai da criança. O menino havia dito a ele que o namorado da mãe batia nele.

Uma pausa para uma colocação pessoal aqui…

Casei tarde, aos 44 anos. E fui pai às vésperas de completar 47 anos. Tenho hoje 54 e meu filho, Dionysio, 7 anos.

Quando casei, não pensava em ser pai. Considerava-me velho para isso e tinha medo de morrer antes de deixar um filho adulto e capaz de cuidar de si mesmo. Mas minha esposa, quase uma década e meia mais jovem, queria muito ser mãe e convenceu-me. Mas fizemos acordos em relação a isso.

Um dos acordos era justamente sobre a possibilidade de um futuro divórcio e sobre como lidaríamos com nosso filho se isso ocorresse entre nós. Sim, porque cada um pode ter vários ex-maridos e ex-mulheres, mas filhos nunca são “ex”.

Combinamos que se um dia nos separássemos e voltássemos a nos relacionar com outras pessoas, nosso filho teria de ser prioridade. Qualquer um, fosse companheiro dela ou companheira minha, que maltratasse nosso filho, teria de ser afastado ou afastada, sem hesitação. Se um não fizesse isso, o outro poderia fazer sem medo.

Se o meu filho chegasse para mim e dissesse que um namorado da mãe espancou ele, eu iria atrás desse sujeito com tudo que tivesse. Se eu percebesse que não tinha condições de dar uma surra no espancador, não hesitaria em agir covardemente. Atiraria nele pelas costas, bateria nele um pedaço de pau quando estivesse distraído… Enfim, o sujeito sofreria como meu filho havia sofrido na mão dele. Da mesma forma, se uma namorada minha agisse contra meu filho dessa forma, eu quebraria uma regra e daria uma surra nela, também sem hesitar. Nunca fui de bater em mulheres, mas sempre há exceções para tudo na vida. E a mulher que espancasse meu filho seria essa exceção.

Em ambos os casos eu provocaria um dano tão grande que a pessoa, fosse homem ou mulher, temeria até aproximar-me do meu filho novamente. E se eu percebesse que a agressão era um ato de psicopatia, executaria a pessoa espancadora, pois sei que psicopatas não têm medos e poderiam voltar a atacar.

Simples assim. Duro de dizer, talvez duro de ler, mas é assim que eu procederia. Meu filho primeiro! Sempre!

Aliás, outro acordo era sobre isso. Nem mesmo eu ou minha mulher poderíamos espancar nosso filho. Eu a fiz prometer que, se eu um dia fizesse isso, ela me mataria. Porque eu faria isso com ela tranquilamente para proteger o Dionysio.

O pai de Henry Borel não fez nada. Na véspera, mesmo tendo notado que o filho estava vomitando devido a um espancamento prévio, relatado pela criança, devolveu o filho para a mãe e para o assassino. No meu entender, essa omissão covarde o faz tão ou mais culpado do que o assassino.

Quando está alegre e feliz, meu filho divide suas atenções entre a minha esposa e eu. Mas quando está com medo de algo, é para mim que ele corre, como se soubesse, desde a mais tenra infância, que o papai é a parte mais forte fisicamente para protegê-lo. Um pai que sabe que seu filho foi espancado e o devolve para o espancador é, para mim, um ser tão desprezível quanto o assassino.

Além disso, não era um pai ignorante, que não sabia como agir. Se não tivesse a coragem física de confrontar o agressor de seu filho, sabia ao menos que poderia procurar uma Delegacia de Menores e registrar um boletim de ocorrência contra o “Dr. Jairinho”. Ou procurar o Conselho Tutelar. Ou ainda contratar um advogado e conseguir uma medica cautelar ou, até mesmo, uma mudança na guarda da criança.

Nem a babá é totalmente inocente nesse caso. Porque proteger os mais fracos é uma obrigação moral e legal. Omitir-se diante de uma agressão é crime. Especialmente de uma agressão contra uma criança de apenas quatro anos, completamente indefesa diante de seu agressor. Se ela não tinha coragem para intervir, que chamasse a polícia anonimamente. Ou pegasse a criança e fugisse do local, levando-a para local seguro. Mas não, ela não fez nada. Calou-se enquanto uma criança era morta por pancadas de um adulto covarde e sujo.

O caso Henry Borel é peculiar, porque todos os culpados estão vivos, enquanto o único inocente foi condenado à morte pela brutalidade, pela cumplicidade, pela conivência, pelo descaso ou pela covardia dos envolvidos.

O caso vem tendo alguns desdobramentos curiosos.

Dias atrás minha esposa mostrou-me uma reportagem que falava sobre a mudança de posição de um dos advogados que militava pela família de Henry Borel e que, sem mais nem porquê, havia passado para a defesa do “Dr. Jairinho”, em um claro conflito de interesses que, como sempre, acaba ignorado pelo corporativismo da OAB.

Agora me aparece esta outra reportagem:

Monique Medeiros, “mãe” de Henry Borel (as aspas são propositais…), foi acusada por outras presas de ter exibido seus seios para que um dos advogados que a defende pudesse masturbar-se do outro lado da sala de atendimento, onde advogado e cliente ficam separados por um vidro.

A coisa toda está recheada de um moralismo absurdo como o que denunciei neste outro artigo aqui do blog. Começa com as presas e acaba com o público em geral.

Sim, aquelas mulheres que denunciaram não estão ali por nada. São elas próprias assassinas, ladras, extorsionistas… Enfim, todas criminosas condenadas, mas que assumem uma postura do moralismo sexual, apontando essa exibição da Monique como algo criminoso.

Aqui vemos novamente a diferença entre “moralismo” e “moralidade”. As mesmas mulheres que são capazes de cometer crimes bárbaros, condenam outra mulher por algo que só diz respeito a ela e ao advogado punheteiro.

A sociedade, em geral, também parece mais preocupada com o fato dessa mulher exibir os seios do que com o fato dela ter permitido o assassinato do filho e sido cúmplice do assassino.

É um reflexo do moralismo sexual da nossa época. O mesmo moralismo do “menino veste azul, menina veste rosa” que a “doida da goiabeira” vive expressando. O mesmo moralismo que faz uma multidão parar na porta de um hospital para xingar uma menina de dez anos que havia sido estuprada pelo tio e engravidado, recorrendo a um aborto legal, mas não faz nenhum “cristão conservador moralista” ir para a porta da cadeia xingar o tio estuprador.

Tristes tempos os nossos!

A nossa maior batalha hoje deve ser para subverter esse moralismo dos cristãos conservadores. Para expor suas contradições e sua hipocrisia para que todos vejam. Se não conseguirmos fazer isso, acabaremos sempre reféns dessa falsa moral.

Quanto aos envolvidos na morte de Henry Borel, eu realmente gostaria de acreditar, em uma hora dessas, que existem um céu e um inferno. Um inferno para todos os envolvidos, “Dr. Jairinho”, Monique Medeiros, Leniel Borel, Thayna e quem mais tenha contribuído para a morte dessa criança. E um céu para que esse menino inocente pudesse ter alegria e conforto que compensassem o sofrimento pelo qual passou.

Infelizmente, porém, eu sei que tudo isso é uma grande besteira. E que se a justiça falhar aqui, os culpados sairão impunes e a vítima terá recebido a pena de morte.

Por que ninguém fala das invasões dos Estados Unidos?

A Globo News, em mais uma tentativa de expor seu mau caráter para as pessoas que possuem conhecimento e memória, afirmou em sua cobertura da invasão russa na Ucrânia que esta é a primeira invasão de um país por outro desde a II Guerra Mundial. Uma afirmação aparentemente inocente, se não fosse uma mentira deslavada!

Tiago Brasil fez uma postagem criticando essa afirmação, mas foi demasiado gentil ao citar as invasões dos Estados Unidos apenas do ano 2000 para cá.

Acho que ele tentou apenas manter a postagem curta, porque se recuarmos uns vinte anos mais no tempo, o número de invasões dos Estados Unidos contra outros países aumenta muito. Vejamos:

Se somarmos isso com o Iraque, o Afeganistão e a Síria, mencionados pelo Thiago Brasil, temos então OITO INVASÕES DOS ESTADOS UNIDOS contra nações soberanas. E isso apenas nos últimos 40 anos. Se recuarmos até os anos de 1940, o número dobra!

Isso significa que os Estados Unidos invadem uma nação soberana em média a cada cinco anos. O problema é que a mídia, a mesma mídia da qual a Globo News faz parte, nunca chama essas invasões de invasões. Sempre diz que foram “atos heroicos para defender a democracia”.

Invasões. Este é o nome correto, se considerarmos o princípio da ONU de autodeterminação dos povos. Aqueles povos tinham o governo que tinham porque assim o queriam. E se não queriam, deveriam ter lutado eles mesmos para depor tais governos, sem necessidade da tutela dos Estados Unidos, que se julgam os “xerifes do mundo livre”.

Aliás, quando a Guerra Fria estava acontecendo e a mídia chamava o bloco soviético de “Cortina de Ferro” e o bloco ocidental de “Mundo Livre”, eu sempre ficava curioso em saber como o mundo ocidental poderia ser realmente livre se os Estados Unidos podiam invadir o país que quisessem, derrubar o governo e implantar lá um governo que lhes fosse favorável. Que raios de liberdade é essa?

Sim, porque além das invasões militares explícitas, os Estados Unidos patrocinaram muitos golpes de Estado. Para sermos breves, falemos apenas de quatro deles:

  • Golpe de Estado na Guatemala (1954), uma operação denominada PBSUCESS, organizada pela CIA para depor o presidente democraticamente eleito Jacobo Arbenz Guzmán, considerado antiamericano pelos serviços de espionagem dos Estados Unidos.
  • Golpe de Estado no Chile (1973), articulado por militares sob o comando de Augusto Pinochet, que recebiam apoio militar e financeiro da CIA, para depor o presidente democraticamente eleito Salvador Allende.
  • Golpe de Estado no Brasil (1964), realizado por generais descontentes com o governo democraticamente eleito de João Goulart, o golpe foi articulado politicamente pela CIA e os Estados Unidos chegaram a enviar a sua frota naval do Atlântico Sul, a IV Frota, para o litoral brasileiro, caso os golpistas precisassem de apoio militar direto. Quem quiser saber mais sobre isso, há um documentário muito bom no Youtube, intitulado “O Dia que Durou 21 Anos”.
  • Golpe de Estado no Brasil (2016), realizado por militares e políticos pró-Estados Unidos que queriam derrubar o governo verdadeiramente nacionalista de Dilma Roussef, que havia determinado que as riquezas do Pré-Sal seriam usadas para revolucionar a saúde e a educação, para colocar em seu poder um governo que entregasse essas (e outras) riquezas nacionais para os Estados Unidos. De lá para cá, diversas pessoas confessaram que o que aconteceu não foi um mero impeachment, mas sim um golpe de Estado disfarçado. Entre elas o vice-presidente golpista de Dilma, Michel Temer, e o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal.

Como podemos ver, a Rússia não é o primeiro país a invadir outro depois da II Guerra Mundial, como disse a Globo News. Os Estados Unidos vêm fazendo isso sistematicamente desde o final da II Guerra Mundial, como fez na Coreia, no Vietnã, no Cambodja, além daqueles citados acima.

Não, eu não estou defendendo a Rússia nessa questão da invasão da Ucrânia! De forma alguma eu faria isso. Não gosto de Putin, especialmente agora que ele parece ser aliado de Jair Bolsonaro. Qualquer aliado de Jair Bolsonaro é meu inimigo mortal.

O que quero é que as pessoas percebam que a mídia distorce as coisas, para condenar a Rússia ou qualquer outro país, mas sempre defendendo os Estados Unidos, sempre achando um “nome bonitinho” para as descaradas invasões praticadas por esse país.

Ah, eu sei que muitos dirão que algumas invasões dos Estados Unidos foram motivadas pela necessidade de tirar tiranos do poder. Sim, pode parecer verdade mesmo, mas… Quem disse para você que eles eram tiranos foi a mesma mídia que agora diz que a Rússia é o primeiro país a invadir outro depois da II Guerra Mundial, lembra?

57 anos do assassinato de Malcolm X

Há exatos 57 anos, quase três anos antes do meu nascimento, uma rajada de tiros de metralhadora ceifou a vida de um dos homens que mais respeito na história recente da humanidade.

Ele nasceu Malcolm Little, porque Little foi o sobrenome que o homem branco escravizador deu a seus ancestrais. Extremamente inteligente, destacava-se na escola e desejava ser um advogado, até que um professor branco disse a ele que isso estava além de sua capacidade, por ser negro, mas que ele poderia ser um bom marceneiro.

Depois de uma juventude turbulenta, que o levou para o caminho das drogas e do crime, Malcolm Little acabou preso, sentenciado a dez anos por roubos. Na cadeia, enfrentando a abstinência das drogas, gritava tanto e de forma tão violenta que os outros presos o chamavam de “demônio”.

Então ele conheceu a Nação do Islã, um grupo religioso fundado por Elijah Mohammed, suposto profeta do Islã.

Convertido, Malcolm Little transformou sua vida. De assaltante drogado ele passou a ministro religioso e homem de família. Nascia ali Malcolm X, nome que passou a usar para representar o desconhecimento do seu nome tribal real, que havia sido roubado de seus ancestrais junto com a liberdade.

Anos depois Malcolm descobriu que Elijah Mohammed era uma fraude hipócrita. Pregava uma moralidade que não praticava. Sendo um homem casado, mantivera várias amantes ao longo dos anos. Malcolm procurou-o para esclarecer as coisas, ainda respeitoso com o homem que o havia tirado do caminho do crime. Elijah Mohammed expulsou Malcolm da Nação do Islã e condenou-o à morte. Mas essa só viria tempos depois.

Foi então que surgiu uma oportunidade de ir a Meca, como todos os muçulmanos devem fazer ao menos uma vez na vida. E ele foi.

No Oriente Médio encontrou com eruditos do Islã e descobriu que tudo que havia sido ensinado por Elijah Mohammed era mentira. Outra decepção. Mas descobriu também outro lado do Islã: uma religião internacional, para negros e para brancos.

Ele retornou de sua peregrinação para Meca transformado. Pode-se dizer que muito do ódio que havia antes dentro dele havia desaparecido. Allah não era exclusivo dos negros, como ele pensara até então. Então, se Allah também era o pai dos brancos, quem era ele para odiá-los? A transformação espiritual que ele viveu em sua viagem para Meca foi tão grande que ele, ao voltar, mudou novamente de nome. De Malcolm Little para Malcolm X. De Malcolm X para el-hadj Malik Shabbaz, um homem novamente renascido.

De volta os Estados Unidos, Malcolm tornou-se um homem caçado. Sua casa, a casa em que morava com sua família, foi incendiada. Ele passou a dormir longe de sua esposa e de suas filhas, uma noite em cada hotel.

Quando era um dos líderes da Nação do Islã, Malcolm fundou um grupo paramilitar chamado “Fruto do Islã”, no qual homens muçulmanos negros treinavam artes marciais e disciplinas militares, para protegerem suas comunidades contra os abusos dos brancos.

Foram justamente alguns rapazes do “Fruto do Islã” que mataram Malcolm, quando ele palestrava como fazia sempre. Sua esposa grávida ajoelhou-se ao seu lado para tentar salvá-lo. Suas filhas assistiram o pai morrendo.

Quem morreu em uma poça de sangue naquele dia não foi Malcolm Little nem foi Malcolm X. Não foi nem mesmo el-hadj Malik Shabbaz. Quem morreu ali foi um ideal de respeito para as pessoas negras.

Mas ideias nunca morrem. E como Malcolm X tinha tanto talento em reinventar-se e renascer das crises, as ideias dele ainda estão por aí, brotando novamente aqui e acolá. De tempos em tempos um policial branco coloca o pé no pescoço de uma dessas ideias e a sufoca, como fizeram com George Floyd, mas a ideia renasce lá na frente, com mais força.

Vidas negras importam!